Ponderações sobre mística

O século XX trouxe novamente à luz o debate sobre a mística que gerou uma nova teologia mística, fundamentada sobre o princípio que a experiência mística é um fenômeno universal. Karl Rahner é um dos eminentes teólogos que elaborou uma sistematização teórica da nova teologia mística através da sua teologia transcendental. No campo da Teologia Mística Franciscana, é o teólogo coreano Ghye-Young Paolo Ko, frade da Ordem dos Frades Menores. Estes dois teólogos destacam a verdade que o ser humano, como um mistério, se orienta para o mistério divino a ponto de vir a ser, em sua identidade, o homo mysticus.

Rahner afirma que o cristão de amanhã, ou será um místico, ou não será um cristão. Que o século XXI será o século do Espírito ou não será século. Paolo Ko, como uma profecia teológica, resgata a atualidade da teologia cósmica-universal de Francisco de Assis e sua influência na nova teologia mística.

Mas vamos retomar a pergunta inicial deste ponto: O que é mística? O termo MÍSTICA, como substantivo, provém do adjetivo MISTIKÓS, derivados do verbo MÚEIN que quer dizer: fechar os olhos e a boca. Olhos fechados para enxergar somente o segredo, e a boca para não se revelar, a não ser no momento ou à pessoa certa.

Deste verbo grego MÚEIN deriva o substantivo MISTÉRIO, que designa, no sentido helenístico: o rito religioso secreto de iniciação que coloca em contato o ser humano com a divindade. Na Teologia Espiritual do Novo Testamento, o termo MISTÉRION é usado para elucidar a compreensão do mistério do Reino de Deus, a sabedoria escondida do Pai, a presença do Filho no mistério da Encarnação, o destino final da caminhada terrena e a relação mística entre Jesus Cristo e a Igreja. Na Vulgata, o termo é traduzido como MISTERIUM ou SACRAMENTUM. Nos primeiros séculos do cristianismo, a palavra não é apenas uma identidade lexical, mas realidade teológica.

Fonte: Frei Vitório.

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