A Força da Oração, Mística e Espiritualidade – Refletindo o segundo exemplo bíblico.

5.2.1. SEGUNDO EXEMPLO – MATEUS CAPÍTULO 6, VERSÍCULOS 9 A 13
9 Portanto, orai vós deste modo: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; 10 venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; 11 o pão nosso de cada dia nos dá hoje; 12 e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores; 13 e não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal. Porque teu é o reino e o poder, e a glória, para sempre.

5.2.2. REFLETINDO SOBRE A ORAÇÃO, MÍSTICA E ESPIRITUALIDADE – NO SEGUNDO EXEMPLO
VERSÍCULO 9 – DIMENSÃO COMUNITÁRIA E SOCIAL DA ORAÇÃO
            Mesmo rezando sozinhos a oração do Pai Nosso, no silêncio de nosso coração, ela é uma oração que nos abre a uma dimensão comunitária e social.
Não digo Pai meu, nem da minha família, nem da minha classe social, nem da minha raça (etnia). Mas digo Pai Nosso.
Dizendo Pai Nosso, incluo todas as pessoas. Estou dizendo que sou irmãos de todos. E Deus é Pai de todos. Aqui a dimensão comunitária e social da oração é mais que evidente.

VERSÍCULO 10 – REINO: DOM DE DEUS E CONSTRUÇÃO HUMANA
“Venha a nós o vosso reino”, isto não significa que vamos ficar sentados passivos esperando o reino vir. Se fizermos sua vontade não só no céu, mas nesta terra, então o Reino de Deus que pedimos vem como Dom, o que não exclui a nossa participação na construção do mesmo.
Dizemos venha a nós o vosso Reino. Não peço o reino só para mim. Mesmo rezando individualmente esta oração sozinho no meu quarto. Peço o Reino como dom para todos, por isso “venha a nós”, e não venha a mim. O reino nos é dado como Dom, mas se não trabalho na promoção da justiça e da paz fazendo a vontade do senhor nesta terra o reino não acontece.
“Seja feita a vossa vontade”. Não posso pensar que Deus vai fazer tudo nessa terra sem a minha participação. Tudo vem de Deus então a sua vontade deve ser vista assim como Dom. O próprio Jesus enquanto homem realizou aqui a vontade do Pai. E se digo seja feita a vossa vontade, como então não procurar realizá-la? Por que querer que a vontade de Deus seja realizada nesse mundo como uma coisa para os outros fazer e não para mim. Infelizmente, tem gente assim: quer que o mundo seja bom, condena o mundo, mas não dá um passo para fazer com que ele seja diferente. Reclamam, lamenta, criticam e não fazem nada para que tenhamos um mundo melhor. Fazer do mundo um lamento achando que é assim que vai melhorá-lo sabemos que é engano e Jesus agiu completamente diferente desses.

VERSÍCULO 11 – OS BENS DESTA TERRA TÊM QUE SER PARA TODOS.
Não digo o Pão para mim, para a minha família e para a minha classe social, nem para minha raça (etnia). Peço o Pão Nosso. Portanto pedimos o pão nosso. A oração do Pai Nosso tem uma dimensão de petição. Mas não pedimos egoisticamente o pão porque pedimos para todos.
Jesus nos ensinou a rezar assim por que sabe que todos nós precisamos ter o pão e ninguém pode passar fome. Se isso acontece é sinal que o reino de Deus está longe de se concretizar entre nós.
Ao pedir o Pão Nosso, quer dizer que reconhecemos que o Pão (alimento) é Dom de Deus. No entanto, Deus quer a nossa participação na construção do seu Reino, aprendendo a partilhar para que o Dom do pão dado por ele aconteça.
Não podemos ficar parados esperando esse pão vir como se acontecesse um milagre por que rezei. Mesmo rezando, pedindo a Deus, ele não vai fazer a caridade que devemos fazer, não vai praticar a justiça que devemos praticar. Deus nos quer responsáveis por esse mundo, sendo responsável pelo irmão e não procedendo de maneira gananciosa, ambiciosa e egoísta.

INTIMIDADE NÃO QUER DIZER INTIMISMO
Portanto, nunca o Pai Nosso significa intimismo. É uma oração de intimidade quando rezamos no silêncio de nosso coração, sim! Mas não intimismo, sentindo paz espiritual conosco como se o nosso Deus nos fizesse bem interiormente sem abrir nos olhos para os outros.
Não posso sentir bem comigo diante de Deus como se fosse uma intimidade exclusivista, não tendo sentimento pelos outros. Sentindo prazer diante do mistério ao rezar, sentido um bem estar e paz de modo egoísta, permanecendo no meu mundo, o que seria intimismo.

ESPIRITUALIDADE
            Nesta oração nos comprometemos a ter ESPIRITUALIDADE, dizendo que a vontade de Deus tem que acontecer nessa terra. E será que colaboro e deixo em mim Deus fazer sua vontade? Dizemos também venha a nós o vosso reino. Será que tenho colaborado para que o reino de Deus aconteça?
Fazer a vontade de Deus e construir o seu reino aqui é o grande desafio da ESPIRITUALIDADE para todo o cristão.
Espiritualidade não significa pensar no espiritual esquecendo do material. Não podemos achar que espiritualidade significa não preocupar com o pão que mata a fome do nosso corpo. ESPIRITUALIDADE não significa oposição ao que é físico e material. Mas que a matéria e o físico tem que ser invadido da graça de Deus e que nós somos uma unidade espiritual e corporal e não uma separação entre corpo e espírito, mas duas partes distintas do mesmo ser sem vê-las de maneira independente. Não somos seres partido, vivendo só no espiritual e deixando de lado a matéria.

CONCLUSÃO
           A oração do Pai Nosso, é a oração que nos coloca ao recitá-la em perfeita comunhão com o Pai. Por isso Jesus nos ensinou esta oração.
Somos livres diante de Deus. Então, mesmo rezando o Pai Nosso, pode ser que nosso coração ainda não esteja cheio do amor e da graça de Deus. Sem estarmos verdadeira em perfeita comunhão com ele. O que é ruim. Mesmo assim é bom sempre nos colocar em oração porque num dado momento quem sabe esta comunhão mais intensa e profunda aconteça. Ressalto que, mesmo fazendo esta pequena avaliação conclusiva do Pai Nosso não cabe a ninguém julgar o estado de espírito dos nossos irmãos quando estão em oração.

 

Referência Bibliográfica:
O texto foi tirado do livro: A Força da Oração, Mística e Espiritualidade de autoria de Pe. Emanuel Cordeiro Costa. Pagina 36-38. Fundação Biblioteca Nacional – Registro: 512.640 – Livro 971 Folha: 477.

Um comentário em “A Força da Oração, Mística e Espiritualidade – Refletindo o segundo exemplo bíblico.

  • 18 de agosto de 2017 em 19:48
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    Pai que nunca falte o pao a quem tem fome;e justiça a quem tem pao.

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