Orar e Rezar

(O texto foi tirado do livro: A Força da Oração, Mística e Espiritualidade de autoria de Pe. Emanuel Cordeiro Costa. Pagina 7-14. Fundação Biblioteca Nacional – Registro: 512.640 – Livro 971 Folha: 477).

ORAR E REZAR (adaptação- por isso já inicia no número 1.3.)

1.3. DISTINÇÃO EVANGÉLICA
Existem alguns grupos evangélicos que fazem distinção desses termos (oração e reza) como se tivessem significados muito diferentes?

Dizem que oram e nós católicos rezamos. Dizem que falam espontaneamente a Deus e nós católicos decoramos fórmulas e as repetimos.


Lamento não gosto e nem é meu feitio, mas me vejo na obrigação por causa dessa distinção fazer aqui um breve comentário: alguns evangélicos julgam basta a fé e já estão salvos! Com isso desprezam as orações de petição, recitação, ou seja, pedidos repetidos a Deus o que para eles são desnecessários valorizando mais orações de louvor e glorificação. Daí, a distinção (eles oram e os católicos rezam) a meu modo de ver desnecessária, e usadas de maneira que cria aparentemente somente uma distinção de termos. Mas não é só isso que cria. Por que por meio do jogo de palavras fazem um outro jogo: querem mostrar que estão certos e os católicos errados.


Então vejo que a preocupação aparente, somente de distinção de termos não existe. A preocupação é outra. Acabam depreciando as recitações e as orações católicas. E usam um argumento *fundamentalista para justificar essa posição dizendo que estão certos porque seguem a bíblia e o que falam está na bíblia. Portanto dão a entender que são os únicos seguidores da bíblia. Os únicos que tem a verdade bíblica. O fato de dizer estar na bíblia, parece dizer tudo. Estão dizendo: nós seguimos a bíblia e vocês não! Pregam a livre interpretação da bíblia, mas o que vale neste caso é somente a interpretação que dão da mesma. A interpretação católica na visão deles esta errada.

E quem fala assim: “esta na bíblia”! Acaba instrumentalizando-a ao seu *bel prazer, tomando-a naquilo que lhe interessa ao pé da letra, esquecendo o que diz São Paulo na segunda carta aos Coríntios capítulo 3, versículo 6: “a letra mata, e o Espírito é que dá a vida”.

1.4. CEM ANOS DE *ECUMENISMO (em 2010).
Mesmo com avanços vindos do meio protestante como o ecumenismo é lamentável, neste caso, o fato da bíblia e a religião serem usadas e instrumentalizadas assim por alguns.

De 14 a 23 de junho de 1910 aconteceu a Conferência de Edimburgo na Escócia ou Conferência Missionária de Edimburgo iniciando o movimento ecumênico. E sobre o centenário do ecumenismo, em 2010 o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) afirma: “há exatamente cem anos (1910) acontecia, na cidade escocesa de Edimburgo, a Conferência Missionária Mundial, um encontro que tinha como objetivo propor a unidade dos cristãos para a missão. Para povos não cristianizados, era difícil compreender divergências doutrinais entre pessoas que seguiam um mesmo credo religioso, sob a *égide de um só Cristo. Daí a proposta de criar uma unidade dialogal entre comunidades cristãs de diferentes tradições teológicas.”

Este foi o trabalho inicial dos grupos evangélicos sobre o ecumenismo. Outros trabalhos de uma aproximação maior com todas as igrejas cristãs continuam sendo feitos, tanto pelo CONIC como pela *CNBB no setor ligado ao ecumenismo.

Pelas considerações aqui feitas é mais que obvio que não quero desconhecer todo esse trabalho ecumênico e nem fomentar preconceitos, mas trazer a tona o porquê desta distinção orar e rezar que traduz não o lado bom dos evangélicos, mas uma distinção que só deprecia o lado católico e que não ajuda nenhum dos dois lados ter um crescimento como irmãos em Jesus Cristo.

Portanto, mesmo com esse trabalho frutuoso (ecumênico), tenho ainda que me ater a estas observações, dado a distinção de alguns evangélicos entre orar e rezar.

1.5. DEUS É DE TODOS E ACEITA AS VÁRIAS MANEIRAS DIFERENTES DE NOS COMUNICAR COM ELE
As reflexões que faço neste subtítulo (1.5.) tem como base o Evangelho de Marcos capítulo 9, versículos de 38 a 40:

38 Disse-lhe João: Mestre, vimos um homem que em teu nome expulsava demônios, e nós lho proibimos, porque não nos seguia.
39 Jesus, porém, respondeu: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo depois falar mal de mim; 40 pois quem não é contra nós, é por nós.

O ser humano cria várias maneiras de se comunicar, de falar e ouvir o outro.

Para se comunicar com Deus, cada religião possui meios e caminhos próprios nesta comunicação com o criador. Mesmo aqueles que não tem uma religião definida mas acreditam em Deus tem o seu jeito próprio de se comunicar com ele.

Não é nada evangélico julgar que Deus só escuta alguns por que é desta ou daquela religião ou por que tem um jeito de comunicar com o absoluto que julgamos ser o correto.

Deus é bondade suprema, é amor, e nos criou por amor e como Pai amoroso acolhe seus filhos seja da forma como esses filhos queiram se comunicar com ele.

Quem quiser falar e repetir sua fala com Deus, que faça!  Não pensemos que ele vai deixar de ouvir, simplesmente por que esta pessoa não reza como eu, ou não é da minha religião ou porque tem um jeito de expressar seu amor a Deus diferente de como faço.

Na própria sagrada escritura vemos as pessoas expressarem sua fé e se colocar em orações não de modo único e sim variados.

Em todas as religiões verificamos os modos os mais diversos de se colocar diante do criador: de joelhos, prostrando-se, erguendo os braços, erguendo a cabeça, dançando, no silêncio do seu coração, falando e repetindo com insistência a Deus.

Essa briga de termos, que não é só de termos, mas implicância religiosa vira uma disputa ao meu modo de ver que nos distancia sempre mais do amor do criador daquele que é Pai de todos. Digladiando-nos, não nos comunicamos com Deus e sim afastamos do seu amor. Mal comparando, essa briga me faz lembrar o tempo da guerra fria entre EUA e antiga União Soviética. As duas potências não se enfrentavam diretamente, mas arranjavam um jeito de disputarem, fazerem queda de braços em pequenas coisas. Que levava a falta de paz entre elas e às nações pequenas envolvidas nesse jogo.

Deus não é propriedade particular de ninguém, e todos nós temos acesso a ele por meio da oração. Quem somos nós para julgar o encontro dos nossos semelhantes, com o criador, só porque não fala e não se comunica com Deus como eu falo e comunico, nem como é comunicado pela minha religião.

1.6. A ORAÇÃO NÃO PODE SER SEPARADA DA VIDA
Mesmo expondo anteriormente que Deus ouve a oração de todos, é claro que isto não significa que não precisamos de nos purificar e estar atentos constantemente em nossos encontros amorosos com o criador, tendo senso crítico, sabedoria e vendo o que ele nos fala por meio do outro e da vida. O próprio Jesus nos chama a atenção quanto aos fariseus, quando não rezam com sinceridade, quando fazem orações para serem visto pelos outros e esquece-se de fazer da oração um meio de comunhão e comunicação com o Pai.

Os profetas chamam atenção quando rezamos e praticamos a injustiça, e hoje temos que estar atentos a tudo isto, para não fazermos do nosso encontro com Deus na oração intima e pessoal como em nossas orações comunitárias um desencontro com Deus e com os nossos irmãos no dia a dia.

MÚSICA: SEU NOME É JESUS CRISTO
1.Seu nome é Jesus Cristo e passa fome, e grita pela boca dos famintos.

E a gente quando o vê passa adiante, às vezes pra chegar depressa à Igreja.
Seu nome é Jesus Cristo e está sem casa, e dorme pelas beiras das calçadas,
E a gente quando o vê aperta o passo e diz que ele dormiu embriagado.
Ref. Entre nós está e não O conhecemos. Entre nós está e nós O desprezamos. (bis)
2.Seu nome é Jesus Cristo e é analfabeto e vive mendigando um subemprego.

E a gente quando o vê diz: “é um à toa, melhor que trabalhasse e não pedisse”.
Seu nome é Jesus Cristo e está banido, das rodas sociais e das Igrejas,
Porque dele fizeram um rei potente, enquanto ele vive como um pobre.
3.Seu nome é Jesus Cristo e está doente e vive atrás das grades da cadeia.
E nós tão raramente vamos vê-lo, sabendo que ele é um marginal.
Seu nome é Jesus Cristo e anda sedento, por um mundo de amor e de justiça, mas logo que contesta pela paz a ordem o obriga a ser de guerra.
4.Seu nome é Jesus Cristo e é difamado, e vive nos imundos meretrícios,
Mas muitos o expulsam da cidade, com medo de estender a mão a Ele.
Seu nome é Jesus Cristo e é todo homem, que vive neste mundo ou quer viver, pois pra Ele não existem mais fronteiras, só quer fazer de nós todos irmãos.


Referência Bibliográfica:

O texto foi tirado do livro: A Força da Oração, Mística e Espiritualidade de autoria de Pe. Emanuel Cordeiro Costa. Pagina 7-14. Fundação Biblioteca Nacional – Registro: 512.640 – Livro 971 Folha: 477.

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