A Força da Oração, Mística e Espiritualidade – Refletindo o terceiro exemplo bíblico.

(O texto foi tirado do livro: A Força da Oração, Mística e Espiritualidade de autoria de Pe. Emanuel Cordeiro Costa. Pagina 39-43. Fundação Biblioteca Nacional – Registro: 512.640 – Livro 971 Folha: 477.)

5.3.1. TERCEIRO EXEMPLO – MARCOS CAPÍTULO 6, VERSÍCULOS 30 A 44
              30 Reuniram-se os apóstolos com Jesus e contaram-lhe tudo o que tinham feito e ensinado.
                 31 Ao que ele lhes disse: Vinde vós, à parte, para um lugar deserto, e descansai um pouco. Porque eram muitos os que vinham e iam, e não tinham tempo nem para comer.
                32 Retiraram-se, pois, no barco para um lugar deserto, à parte.
                33 Muitos, porém, os viram partir, e os reconheceram; e para lá correram a pé de todas as cidades, e ali chegaram primeiro do que eles.
                34 E Jesus, ao desembarcar, viu uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas.
                35 Estando a hora já muito adiantada, aproximaram-se dele seus discípulos e disseram: O lugar é deserto, e a hora já está muito adiantada; 36 despede-os, para que vão aos sítios e às aldeias, em redor, e comprem para si o que comer.
               37 Ele, porém, lhes respondeu: Dai-lhes vós de comer. Então eles lhe perguntaram: Havemos de ir comprar duzentos denários de pão e dar-lhes de comer?
               38 Ao que ele lhes disse: Quantos pães tendes? Ide ver. E, tendo-se informado, responderam: Cinco pães e dois peixes.
               39 Então lhes ordenou que a todos fizessem reclinar-se, em grupos, sobre a relva verde.
              40 E reclinaram-se em grupos de cem e de cinquenta.
              41 E tomando os cinco pães e os dois peixes, e erguendo os olhos ao céu, os abençoou; partiu os pães e os entregava a seus discípulos para lhos servirem; também repartiu os dois peixes por todos.
              42 E todos comeram e se fartaram.
              43 Em seguida, recolheram doze cestos cheios dos pedaços de pão e de peixe.
              44 Ora, os que comeram os pães eram cinco mil homens.

5.3.2. REFLETINDO SOBRE A ORAÇÃO, MÍSTICA E ESPIRITUALIDADE NO TERCEIRO EXEMPLO

VERSÍCULO 31-32
A atividade de Jesus com os discípulos é grande, então há necessidade de descanso fora da multidão. Jesus vai com os discípulos para um lugar deserto. Nada de ativismo como solução para mudanças! Nada de populismo! É preciso distanciar da multidão para o justo descanso e assim refazer as forças, para depois junto do povo continuar o caminhar.

VERSÍCULO 33
Mas a multidão está sedenta e chega antes deles. O povo tem sede de Deus e corre sempre para encontrá-lo e busca nos seus líderes e pastores palavras de alento e orientação.

VERSÍCULO 34
Jesus tem compaixão do povo, o que não significa dó, piedade. Compaixão é sentir com eles, é colocar-se juntos deles vivenciando suas dificuldades e angústias. É sentir e agir com eles. Nada de sentimentalismo vazio e nem poético com o povo.

Sabe Jesus da carência do povo, que necessita de guias que os oriente com segurança e compaixão. Eles não têm os pastores. Temos líderes (pastores) agindo com essa compaixão? Eis que nossa mística deve nos conduzir a esta espiritualidade.
Jesus esta ensinando e estar diante de Deus ouvindo sua voz é aprender. Aprendizado este que o povo tem e que dá sentido seu caminhar com todas as dificuldades que a vida lhes apresenta.

VERSÍCULO 36-37
Os líderes (apóstolos) querem despedir o povo, e além do mais querem que o povo que não tem recursos vá aos povoados comprar. Além do mais comprar com quê? Na hora que sentimos que temos que nos comprometer tentamos sair do problema e queremos passar essa tarefa para frente, ver se alguém pegue. Despedir o povo para que se vire é o que faz constantemente nossas autoridades. Moisés no antigo testamento, como já vimos (no subitem 5.1.1) quis escapar da missão dizendo não saber falar ao faraó, aqui os apóstolos têm o seu pretexto: meio ano de salário, em outras palavras: temos que arrumar muita grana… Ou seja, não tem como ajudá-los. É o pessimismo de quem não quer se comprometer, ao invés de tentar buscar solução é melhor dizer não tem jeito e sairmos fora. Qual o pretexto para não nos envolvermos com os nossos irmãos hoje? Deus não caiu no papo de Moisés, Jesus não caiu no papo dos apóstolos e será que cai no nosso? Até quando com nossas desculpas vamos dar alento a nossa consciência não nos envolvendo?

VERSÍCULO 37
Jesus diz: deem vocês mesmos de comer a eles. Que bom buscar na oração um Deus que resolva tudo sem a nossa participação. Fazer da oração um instrumento de alivio da consciência transferindo para Deus o que nosso. Que bom tentarmos um milagre onde Deus faz tudo sozinho e nos dispensa. Jesus realmente vai fazer o milagre, mas com a participação dos apóstolos: deem vocês mesmos de comer para a multidão. E no versículo 41, Jesus dá a tarefa para os discípulos. Envolvendo-os e comprometendo-os na realização do milagre. Nada dizer não tem jeito. Milagre como se fosse uma mágica sem a nossa participação, e é o que queremos, não acontece aqui. Jesus depois deu os pães aos discípulos para que distribuíssem…

Jesus faz uma oração. O pão é dom de Deus. Vem do senhor. Por isso a benção e o agradecimento. Vir como dom não dispensa a nossa participação. Então Jesus ergueu os olhos para céu, deu a benção. Acontece a oração e a mística. Imediatamente as consequências da mística: espiritualidade: a tarefa dos discípulos: repartir e distribuir.
A grande mística, uma coisa material para saciar a fome física tem que estar cheia do divino, do amor de Deus. Daí a benção, é Deus que nos dá a vida e o alimento como dom. Jesus ergue os olhos para o céu, é uma maneira de se colocar diante do Pai. Há várias maneiras de nos colocar diante do mistério. Moisés tirou as sandálias e cobriu o rosto: foi esse o seu gesto. Jesus pronunciou a benção. Aqui há um momento de oração. Oração de benção. Ele fala com o Pai. A mística e a espiritualidade esta acontecendo: a vivência do amor comprometedor com o povo. Transformaram a oração em vida, a experiência de Deus em comunhão com os irmãos. Houve a divisão (partilha) dos pães e os peixes entre todos.

 VERSÍCULO 38
Jesus pergunta quantos pães vocês têm? Será que não temos nada? Será que somos tão pobres e tão vazios assim a ponto de não vermos nenhuma saída? Diz um ditado: o pouco com Deus é muito e parece que isso que ocorre aqui: o pouco que tinham com a graça e benção de Deus fez acontecer o milagre: a partilha!

Na verdade aqui vemos um grande ensinamento de Jesus quanto a “Partilha do Pão”. No versículo 41 diz que “Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, abençoou-os e os deu a seus discípulos, para lhos distribuíssem, e repartiu entre todos os dois peixes”.
Numa leitura um pouco desatenta parece que a coisa aconteceu como uma mágica, num palco onde o mágico coloca um pano sobre cinco pães e dois peixes e diz alguma coisa como “abracadabra”, ai tira o pano e aparece milhares de pães para as pessoas comerem.
Numa leitura um pouco mais atenta vemos que primeiro não fala o texto de multiplicação e nem milagre. Fala que Jesus erguendo os olhos ao céu, abençoou-os, depois fala que partiu-os e deu a seus discípulos para que distribuíssem e foi repartido depois entre todos e todos comeram e sobrou ainda. Então vemos a grande lição, quando cada um coloca o pouco que tem para ser partilhado com a graça de Deus “o pouco com Deus” se torna muito, abundante e ninguém passa necessidade. Veja que os apóstolos foram envolvidos e tiveram que distribuir, tiveram que partilhar. Antes queriam despedir a multidão, queriam sair fora do problema, dispensando os famintos. A solução existe quando nos dispomos a trabalhar para transformar essa sociedade numa sociedade onde aprendamos a partilhar.
Querem uma solução mágica e esta como muitas vezes queremos não existe. E o próprio Jesus que tinha poder divino para dar o pão para todos assim não fez (de modo mágico). Talvez para nos mostrar aquilo que é possível o homem fazer pelo bem da humanidade, façamos nós mesmo, é claro contanto com a graça de Deus. E não fazermos da religião um meio de jogar para Deus o que não temos coragem de fazer e enfrentar como os apóstolos num primeiro momento tentaram fazer.

 VERSÍCULO 39-44
Todos devem se sentar. Devemos fazer do alimentar juntos um meio de confraternizarmos e não comer como os animais, mas na alegria do pão partilhado.

OUTRAS PASSAGENS BÍBLICAS SOBRE A MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES
Existem outros textos que falam tanto da primeira multiplicação dos pães como da segunda multiplicação dos pães, que na verdade é um ensinamento de como partilhar o pão. É Claro que cada narrativa e cada autor tem as suas particularidades, no entanto em todas as narrativas vemos o milagre acontecer com a participação dos apóstolos havendo oração, mística e espiritualidade.

Confira as outras citações:
Em Marcos capítulo 8, versículos de 1-9, fada da segunda multiplicação dos pães.

No evangelho de Mateus capítulo 14, versículos de 13-21, temos na visão deste evangelista a primeira multiplicação dos pães e também em Mateus capítulo 15 versículos 32-39 a segunda multiplicação dos pães.
Dentro do evangelho de Lucas capítulo 9, versículos de 10-17 um relato multiplicação dos pães.
Nesta narrativa de João capítulo 6, versículos de 1-15: Jesus pergunta a Felipe para testá-lo: onde comprar os pães? O evangelista deu destaque também a André e um menino (algumas traduções bíblicas falam em rapaz no lugar do menino).

 

Referência Bibliográfica:
O texto foi tirado do livro: A Força da Oração, Mística e Espiritualidade de autoria de Pe. Emanuel Cordeiro Costa. Pagina 39-43. Fundação Biblioteca Nacional – Registro: 512.640 – Livro 971 Folha: 477.

Um comentário em “A Força da Oração, Mística e Espiritualidade – Refletindo o terceiro exemplo bíblico.

  • 5 de agosto de 2019 em 20:20
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    Andamos carentes nos dias atuais. O pastor é sempre uma boa referência.

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