“Correntes (Escolas) de Parapsicologia” no Brasil.

(Este artigo de autoria de Pe. Emanuel Cordeiro Costa, está em processo de averbação pela Fundação Biblioteca nacional, protocolo: 2017RJ15259.)


Introdução

Sou parapsicólogo pela Escola Cientifica e Independente de parapsicologia IPAPPI (Instituto de Parapsicologia e Potencial Psíquico) – Sistema Grisa. Mas não fico preso somente aos estudos da Escola Cientifica e Independente.  Pelo fato de seguir a linha de uma escola não faço disso um dogmatismo parapsicológico, mas procuro ampliar o estudo de certas questões e temas, questionando-os, vendo-os sobre vários ângulos e aspectos não caindo em ortodoxias de alguns conhecimentos pré-estabelecidos, nem de grupos, mas ampliando horizontes. É claro sem perder de vista que sigo esta vertente de parapsicologia de linha cientifica e independe do Sistema Grisa.

Nesse artigo não tenho a pretensão de ser acadêmico e cientifico. Nem a preocupação com o ataque ou defesa de alguma linha ou corrente parapsicológica, mas refletir sobre essas correntes em alguns de seus aspectos de pesquisas, estudos, procurando ampliar o conhecimento sobre as mesmas vendo o que há de bom em cada uma. E também o que cada uma delas tem que possa atrapalhar na busca de um estudo mais apurado da parapsicologia.

Não tenho é obvio a intenção de fechar aqui nenhuma questão e nem pretensão de esgotar o assunto, ainda mais sabendo da complexidade deste tema que é a parapsicologia.

Fechar numa vertente sem se abrir as outras, não é isto que faço, pois mesmo neste artigo não tendo a intensão de ser cientifico, devemos também aprender com o que tem de bom nas ciências. Pois, as ciências no seu sentido exato não pode se fechar e sim evoluir e aceitar mudanças quando novas descobertas surgem ou quando descobre erros e equívocos e os corrigem, assim procuro estar aberto a todas as abordagens e novidades do ramo.

 

1. “Correntes” – “Escolas”.

Existem grupos de estudos da parapsicologia no Brasil, com metodologias e propostas parapsicológicas diferentes. O professor Dr. Pedro Antônio Grisa, os classificou em “Escolas Católicas, Espiritas e Cientificas Independes”. E posteriormente usou o termo “correntes”.

Chamar, classificar esses grupos como “escolas”, “correntes”, “vertentes”, “linhas”, “tendências”, etc., acaba de um certo modo criando “rótulos”. Batizando-os com esses nomes, que nem sempre foram dados por eles mesmos e nem sempre aceitos por eles. E muitos dessas chamadas “escolas” não conhecem a literatura do Grisa nem sabe desse “apelido”. É Claro que tenho que reconhecer os nomes não deixam de caracterizar algum aspecto do que fazem esses grupos de estudos (daí “escolas católicas, espiritas e independentes”), mas ao mesmo tempo, nos prendendo a esse aspecto no qual origina o nome, corremos o risco de empobrecer um conhecimento mais apurado de toda a vida e dinâmica desses grupos.

 

2. O termo “escola”

É bom analisar o termo “escola”. É muito forte em nosso imaginário coletivo, “escola”: lugar onde se ensina com salas de aulas, professores e alunos. Ao passo que nas “escolas parapsicológicas” perguntamos qual a sua dinâmica? Como fazem? Como agem? Qual a metodologia usada? Será que o procedimento desses grupos se dão no sentido da “escola” tradicional que conhecemos? De algum modo tem alguns grupos de parapsicologia que funcionam com cursos, ai se encontra professor, aluno, salas de aula. Mas há outros grupos, mais de pesquisas. Tem grupos que são mais de orientação e psicoterapia. Então começa complicar o termo “escola” do nosso imaginário coletivo.

 

3.“Escolas Católicas de Parapsicologia”.

A expressão “Escolas Católicas” referindo-se a um pequeno grupo de parapsicológicos ou mais exatamente, a Pe. Oscar Quevedo, e a seu centro de estudos na época que Grisa pesquisou que é o CLAP, será que está correta? “Escolas católicas” no Brasil pode significar colégios católicos que não tem nenhuma aula de parapsicologia e sim ensino médio e fundamental. Como também escolas evangélicas e espiritas nesta mesma linha.

O Padre Quevedo com uma equipe tinha um centro de estudos, chamado de Centro Latino Americano de Parapsicologia – CLAP, de onde desenvolvia estudos dos fenômenos paranormais. Esse centro e seu presidente Quevedo receberam de Grisa o nome de “Escola Católica” e outros pequenos grupos como de Frei Albino Aresi, e Kloppenburg receberam esse mesmo nome.

Com todo respeito ao Grisa, aqui cabe muitos questionamentos… Pois a partir de exemplos particularizados de três pequenos grupos não monolítico e diferentes, mas por que trazem dentro do estudo da parapsicologia uma certa “manipulação” da mesma tendendo para um lado religioso ou contra alguma religião, generalizar como “Escola Católica”, não acho correto. Oficialmente pela Igreja Católica você pode falar de colégios católicos e Universidades no sentido bem claro dessas instituições. Mas referindo-se a parapsicologia, não vejo como correto dizer “Escola Católica” como se fosse expressão da Igreja esse pequeno grupo.

Mas, Grisa entende que Padre Quevedo, parapsicólogo, divulga a parapsicologia, usando a mesma para criticar o espiritismo sistematicamente e os cultos afros. Como fundamentação de suas críticas, usa argumentos parapsicológicos para ataca-los. Grisa também reconhece que Quevedo é um grande pesquisador. Mesmo com essa explicação a expressão “escola católica” ainda merece muitos questionamentos nesse caso.

É Bom lembrar que a Igreja Católica oficialmente, pelo que tenho conhecimento não tem nenhum grupo de parapsicologia. E nem nenhuma escola com esse título. E nem Padre Quevedo é conhecido de todos os padres e aceito por todos eles, pelas teses que defende. E pelo que pesquisei a Igreja não oficializou Padre Quevedo e nem um outro, para oficialmente em nome dela, dar sentença final sobre qualquer assunto de parapsicologia. Desconheço se existe esta oficialização dentro da Igreja.

Dr. Pedro Antônio Grisa faz essa classificação fruto de pesquisas que talvez até a década de 80 e início da década de 90 expressou o conflito parapsicológico de alguns grupos no Brasil. De lá para cá, será que alguma coisa mudou? Com certeza. Veja pelos exemplos que desenvolverei nos parágrafos seguintes…

O Instituto Brasileiro de Parapsicologia – IBRAP. Pelo que já venho pesquisando a tempos, não existe mais. Este é citado por Grisa como “escola católica”. O principal líder desta “escola” Karl Josef Bonaventura Kloppenburg conhecido como Dom Frei Boaventura Kloppenburg que foi bispo da Diocese de Novo Hamburgo, falecido a algum tempo. Atacava também no estilo de Quevedo o espiritismo e cultos afros. No entanto pelo que pesquisei não deixou adeptos e nem escolas, nem discípulos.

O Centro Latino Americano de Parapsicologia – CLAP, Cujo líder maior era Quevedo, que hoje está aposentado e não atua mais. O CLAP hoje me parece ter virado museu de parapsicologia. Tem hoje o Instituto Padre Quevedo, de alguns poucos seguidores. Não resta dúvida que Quevedo deixou uma vasta literatura sobre estudo dos fenômenos paranormais. Bem maior que os outros grupos, no Brasil.

O Instituto Padre Quevedo tem Pós Graduação – Lato Sensu em Parapsicologia, não muito acessível. Primeiro o curso é toda terça feira a noite em São Paulo capital. Morou fora de lá, é impraticável para não dizer impossível faze-lo. O curso tem duração de dois anos e 360 horas aulas. Tem como objetivos: “Formar docentes e estudiosos destinados às atividades de ensino, pesquisa e extensão na área da Parapsicologia.”

Oferece também curso Intensivo de Férias no mês de Janeiro de cada ano: “Parapsicologia e Religião”. Curso este que fiz em Janeiro de 2006 em São Paulo.

Uma outra modalidade são os Cursos de Final de Semana aos sábados e domingos. Todos em São Paulo.
Quanto a Frei Albino Aresi, mesmo existindo clinica com o nome Mens Sana, pelo que pesquisei não tem escolas e nem grupo de discípulos. Falecido já a algum tempo.

Padre Lauro Travisan desenvolve seus trabalhos mais na linha do pensamento positivo que estudo de fenômenos ou parapsicologia.

3.1. “Escolas Católicas”.

Frei Albino Aresi era bem diferente na maneira de tratar a parapsicologia que o Padre Quevedo. Padre Quevedo não admite a parapsicologia para fins psicoterapêuticos e Frei Albino Aresi, sim. Então se admitirmos a expressão “escola católica de parapsicologia” no singular, vamos ter que coloca-la no plural. Elas são diferentes no seu trabalho. Não havendo uma única visão de parapsicologia entre os católicos que se dedicam ao estudo da mesma. Por isso, a expressão traz alguns problemas epistemológicos e quem sabe semântico se formos aprofundar. Pois há outras divergências entre eles: Quevedo e Aresi.

 

4.“Escolas Espíritas de parapsicologia”

Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofisicas – IBPP,
de Bauru, São Paulo, fundado pelo engenheiro Hernani Guimarães Andrade, pelo que sei faleceu em 2003. Se existe alguma escola ligado a ele, ao seu pensamento atualmente, está com pouca divulgação. Pelo menos não encontrei nenhuma matéria, divulgando com mais vitalidade o instituto ou algo neste sentido.

Faculdades Espiritas Integradas de Curitiba, em seu site apresenta curso de Pós Graduação – Lato Sensu com Habilitação ao Magistério Superior em Parapsicologia com Ênfase em Estudo da Consciência. O site da somente detalhes básicos para o curso e nada mais.

Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas – IPPP
– de Pernambuco. Este parece ser o que mais desenvolve os estudos da fenomenologia paranormal, é lógico dentro da “visão espirita”.
Dão Curso Básico de Parapsicologia em Pernambuco com duração de 1 a 3 meses para um público que tenha o ensino médio. Dando noções básicas e gerais sobre a parapsicologia.

Tem também um curso de Formação de Parapsicólogo. A pessoa deve ter o ensino médio completo. Com 400 horas aulas e duração de 10 meses.

Ao mesmo tempo que no site do IPPP (http://parapsicologia.org.br/site/?page_id=28) coloca que “Os cursos oferecidos são livres. Portanto não oferecem titulação acadêmica aos alunos, e não são reconhecidos pelo MEC”. Sobre Pós Graduação em Parapsicologia na mesma página do site diz: “Após o término do Curso de Formação em Parapsicologia (pré-requisito exigido), o aluno aprovado, caso seja graduado em qualquer área acadêmica (a graduação precisa ser autorizada ou reconhecida pelo MEC), poderá optar em receber o seu certificado de Pós-Graduação lato sensu em Parapsicologia emitido pelo IPPP. Para isso, terá o prazo de seis meses a um ano para desenvolver uma monografia, que será submetida para avaliação pela equipe pedagógica do IPPP. A monografia será reavaliada, no máximo três vezes, caso não tenha sido aceita nos julgamentos anteriores. Ao final, a monografia deverá ser defendida pelo estudante perante uma banca examinadora do IPPP”.

O IPPP – Tem cinco livros básicos disponível em PDF pelo Instituto, que são eles, de Valter Da Rosa Borges: A Mente Mágica, A Parapsicologia em Pernambuco, A Fenomenologia das Aparições e Manual de Parapsicologia. E o livro: Fenômenos Paranormais na Proximidade da Morte: Um Mecanismo de Apego à Vida, de Jalmir Freire Brelaz de Castro. O instituto publicou vários artigos de autores diversos na área de parapsicologia.

Instituto de Parapsicologia de Joinville. Tem um curso intitulado: Curso de Parapsicologia em Ciências Mentais (Hipnose e Regressão). Está no site do Instituto: “O Curso de Parapsicologia é um curso de qualificação profissional classificado pela Secretaria de Educação do Estado de Santa Catarina”. Onde exige que o aluno tenha concluído o 2º grau. “É realizado em apenas um final de semana por mês, com duração de dois anos e meio, com carga horária de 800 horas/aula”.  Possui seus professores com seu material didático, estuda a fenomenologia paranormal e trabalha numa linha psicoterapêutica destacando a reprogramação mental e as técnicas de hipnose e regressão. Tudo indicando ser diferente do IPPP de Pernambuco que não tem essa linha psicoterapêutica, e sim somente orientação de alguns casos tidos como paranormais. O instituto de Joinville já chegou oferecer pós graduação em Parapsicologia e agora não está com o PÓS.

4.1. “Escolas Espíritas”

Pela própria programação do Instituto de Parapsicologia de Joinville e o Instituto de Pernambuco, assim como falei de Padre Quevedo e Frei Albino Aresi, não podemos falar de escola espírita no singular, as duas tem caminhos diferentes. Há divergências quanto a abordagem e maneira de trabalhar a parapsicologia entre os dois institutos “espiritas”.

 

5.“Escolas Cientificas e Independentes”

Grisa citou a alguns anos atrás um grupo de médicos ligados a marinha e dentre eles destaca: Dr. Osmar Andrade Faria. Mesmo tendo alguns livros, estudos e pesquisas parece que não se pode dizer escola. Se esta existe não temos conhecimento desse grupo hoje.

“Independente” sobrou ao que parece só o Sistema Grisa. Portanto, da chamada “Escolas Cientifica e Independente” temos com clareza e bem estruturada nos Estados de Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Espirito Santo. E em Minas Gerais teve a sua última turma do qual fiz parte em 2015, o IPAPPI – Instituto de Parapsicologia e Potencial Psíquico – Sistema Grisa. Mesmo com Grisa falecendo este ano no dia 09 de junho e sendo cremado no dia 10 de junho de 2017. (E este artigo produzido em julho de 2017).

Com dois anos de Formação parapsicológica a pessoa graduada em algum curso, recebe o certificado de pós graduação e fazendo o terceiro ano, de parapsicólogo clinico (meu caso por exemplo que sou pós graduado em parapsicologia e parapsicólogo clinico).

Aqui também vale questionamentos e reflexão. “Escola Cientifica e Independente”. Padre Quevedo e seu Instituo, o tempo todo nas suas palestras, cursos, livros, artigos falam da parapsicologia como “ciência”.  E tem pesquisas e mais pesquisas sobre o assunto. Fica parecendo que só o IPAPPI (Sistema Grisa) é “cientifico”, ao colocar que é uma escola “Cientifica e Independente”. O IPPP – Linha “espirita” diz que seu instituto trabalha numa linha científica.
Todas três escolas afirmam que suas pesquisas são cientificas. Me parece que todas as três tem uma visão de ciência como algo puro, isento de ideologia e numa linha positivista. Sobre esta postura cientifica (para não dizer cientificista) das três escolas não concordo. Mas posteriormente em outro(s) artigo(s) vou trabalhar melhor este assunto no próprio site EMANA.

“Independente” – Podemos questionar “Independente” em que sentido? Das correntes Católicas e Espiritas? Não Podemos esquecer que o IPAPPI (Sistema Grisa) toma muita contribuição dos estudos de Quevedo como das “escolas espiritas” e outros estudos buscado de outras expressões religiosas e filosóficas. Toma inclusive conhecimento da Ciência Cristã que é uma religião. Não fala de crença católica ou espirita, mas de um “Reino Invisível”, que também é uma crença. Portanto, em que sentido podemos chamar de “Escola Independente”?

Mesmo assim como disse no início do trabalho sigo esta linha “Independente”, e vejo sua real contribuição para o ser humano, que além dos fenômenos paranormais estudados traz uma contribuição imensa sobre o Homem e um método psicoterapêutico excelente.

 

6. Outras Escolas

Na internet vemos inúmeros sites oferecendo cursos de parapsicologia inclusive profissional. Alguns com aulas presenciais, semipresenciais e a distância. Pouco detalhes sobre os cursos e não fica claro qual a literatura segue e como estão estruturados nem sempre fica claro. Pelos temas abordados alguns me parece que vão numa outra linha diferente, como por exemplo do esoterismo e também com outras visões religiosas e filosóficas.
Sem falar de muitos que dão cursos de parapsicologia pelo Brasil afora sem clareza de uma linha definida.

 

7. Conflito entre as “Escolas Católicas e Espíritas”.

A Profa. e Dra. Fátima Regina Machado, da Faculdade de Comunicação e Filosofia – PUC/SP. Instituto de Psicologia – USP. No ano de 1996, em dissertação de mestrado: “A Causa dos Espíritos: Um estudo sobre a utilização da Parapsicologia para a defesa da fé católica e espírita no Brasil”, tratou desse assunto (conflito entre as “escolas”). E em um artigo, inclusive publicado na internet (em alguns sites), pelo próprio título do artigo, ela apresenta de maneira brilhante esta controvérsia entre “escola de parapsicologia” do Quevedo e a “Espirita”. O artigo é intitulado: “Parapsicologia no Brasil: Entre a cruz e a mesa branca”. Vale apenas Repetir o título para gravarmos mais, já que ele por si fala muito: Parapsicologia no Brasil: Entre a cruz e a mesa branca”.

Mesmo vendo o merecido valor do artigo não quer dizer que não tenho considerações a fazer sobre o mesmo… Só que em seu artigo ela destaca pelo lado Católico, Quevedo e pelo lado espirita, Hernani Guimarães Andrade. E cita outro parapsicólogo, este Americano, William G. Roll por causa de seus trabalhos e pesquisas quanto aos chamados casos Poltergeist. Porém o grande destaque do artigo é dado a figura de Quevedo e Andrade por causa do conflito do catolicismo e espiritismo usando a parapsicologia, lamentavelmente como instrumento “doutrinário” e “catequético” para justificar suas teses e justificar suas acusações.

O artigo de Fátima Regina Machado é valioso, demonstra fundamentação e pesquisa. Porém, há também lacunas… Há o que ser questionado. Como por exemplo, colocar toda Igreja Católica preocupada com o crescimento do espiritismo. Mesmo citando em seu artigo que em 1953 o Conselho Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB): “declarou o Espiritismo um desvio doutrinal perigoso e iniciou, no país, uma forte campanha de educação contra o kardecismo e a Umbanda”.

Uma pequena correção – ela fala no artigo: conselho, mas é conferencia o correto. Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A CNBB (foi criada um ano antes em 1952). No início a conferencia ainda não tinha este peso de comunicação como hoje, principalmente por causa da comunicação que não era imediato até as paroquias como hoje via internet. Não vamos esquecer que a CNBB não delibera para as dioceses, cada bispo em sua diocese tem ampla liberdade com seus padres e leigos para aplicar e encaminhar certos assuntos a partir da realidade que se encontram e como julgar melhor. E nem sempre as interpretações da mesma decisão se dão do mesmo modo. E muitas vezes são aplicadas de modo diferente de uma diocese para outra.

Lembro que de 1962-1965 aconteceu o Concilio Ecumênico Vaticano II na Igreja, e muitas coisas mudaram, inclusive, com abertura para o ecumenismo e maior aproximação religiosa. Outros acontecimentos na Igreja como Conferencias, inclusive Latino Americana onde incentivou o ecumenismo e o intercambio inter-religioso. Ou seja, o diálogo entre as religiões. Se Frei Boaventura Kloppenburg e Quevedo não se abriram as novidades do Concilio e das Conferencias não quer dizer que toda a Igreja Católica foi por esse caminho.

O que fica evidente especialmente na década de 80 para cá, é a preocupação dos bispos da Igreja do Brasil com o crescimento das Igrejas Evangélicas que numericamente nas pesquisas demonstrou crescimento grande. Não vemos a partir daí essa preocupação com o Espiritismo. Mesmo se alguns poucos como Quevedo se fixaram nesse ponto.
E mesmo também preocupando com o crescimento das Igrejas Evangélicas a postura oficial da Igreja Católica não é de ataque, como faz Quevedo com os espíritas. Não se trata de ataque, nem perseguição. Inclusive existem até momentos de ecumenismo entre as Igrejas.

Outra lacuna podemos verificar no trabalho da Professora e Dra. Fatima Regina Machado é que ela não menciona em momento algum a chamada Escola Cientifica Independente, especialmente do Sistema Grisa.
Não fica claro também qual sua profissão religiosa neste artigo. Mesmo analisando o conflito do lado católico e espirita, Fátima Regina não é neutra nem cientificamente e nem religiosamente.

Fátima dá a entender que existe grupos de pesquisadores na área da parapsicologia no Brasil com nomes diferentes “Pesquisa Psi” e “Psicologia Anomalística”. Mas não explica quem são esses pesquisadores? O que tem estudado? Material de pesquisa que utilizam? Pesquisa produzidas? E outras questões, como a que grupos religiosos pertencem? Se existe ligação com grupos religiosos ou não? É claro que a preocupação de Fátima no artigo é mostrar o Conflito mais entre Quevedo e Andrade. Mas poderia ter pelo menos mencionado algumas coisas de outros grupos. Como frisei anteriormente ela não menciona hora nenhuma a linha independente do Sistema Grisa. Pois fica assim reduzida a visão de parapsicologia como se fosse Quevedo e Andrade, no Brasil.

 

8. Visões diferentes entre as “escolas”.

Colocando simplesmente “escola católica” e “espirita”, vendo somente como ataque (critica da católica) e defesa da outra (espirita), como faz Grisa em alguns momentos, esquecemos de ver alguma coisa a mais que elas possuem. Lembro que mesmo com esse erro elas contribuem muito para a parapsicologia.
O que apresento agora sobre a “escola espirita” não significa que estou de acordo com tudo que estou expondo, mas devo apresentar o assunto tal qual eles, ou mais exatamente um integrante deles, propôs. Como apresento nos parágrafos a seguir:

O representante é Valter da Rosa Borges, do Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofisicas, de “linha espirita”.  Em seu livro: “A Mente Mágica”, fala que existe três denominações para um mesmo tipo de investigação cientifica – o campo do fenômeno paranormal: Parapsicologia, Psicobiofisica e Psicotrônica.

Para ele é urgente “estabelecer uma denominação única para a ciência do paranormal, ou dar atribuições específicas a cada uma dessas denominações”. Segundo Valter, foi proposto como solução deste impasse no 1º Encontro Nacional de Pesquisadores no Campo da Parapsicologia, Psicobiofisica e Psicotrônica. Não fica claro, portanto, quais “grupos” e “escolas” participaram desse primeiro encontro nacional.

Não fica tão claro no livro também, mas deu para entender que houve a tentativa de busca de uma única denominação para a ciência do paranormal. Se está realmente tivesse sido aceita, a parapsicologia passaria a ser PSICOBIOFISICA. (O seu Instituto estuda parapsicologia com esse nome Psicobiofisica).

Mas ao que parece, houve uma tendência maior neste encontro de dar atribuições especificas e para evitar a superposição de campo, “que se faça a demarcação de cada uma delas”, e com essa finalidade ele fez a seguinte proposta:
Psicobiofisica – é a ciência que estuda os fenômenos paranormais em sua totalidade, proporcionando uma visão integrada e unitária dos mesmos.
Parapsicologia – é a ciência que estuda o conhecimento paranormal, ou seja, os fenômenos de psi-gama: telepatia, clarividência e precognição.
Psicotrônica – é a ciência que estuda a ação da mente humana sobre os seres vivos e a matéria em geral, ou seja os fenômenos de psi-kapa.

Não sei se por causa do termo parapsicologia no Brasil lembrar muito a Quevedo e o CLAP, Valter, desconsidera o termo parapsicologia. Ou talvez ele esteja correto na sua desconsideração ao dizer: “A palavra Parapsicologia é inadequada, por sua limitação semântica, para abranger o universo da paranormalidade, pois parece situar o seu objeto nos fenômenos psíquicos extraordinários que estão fora do campo da Psicologia e da Psiquiatria”. Porém limitação semântica sempre aparece em qualquer palavra analisada. Principalmente quanto trata de assuntos como estes.

Ele reconhece grande valor quanto a Psicotrônica ao dizer: “a Psicotrônica já se constitui numa disciplina especializada no campo da fenomenologia paranormal, investigando a ação geral da mente sobre uma forma desconhecida de energia, de natureza orgânica, amplificada e direcionada por instrumentação específica”.
E finalmente justifica o termo para tratar dos assuntos ligado a paranormalidade a Psicobiofisica. (Inclusive o Instituto de Pernambuco traz no nome não Instituto de Parapsicologia mas de Psicobiofica). Veja sua justificativa: “Psicobiofísica seria a designação mais pertinente, pois abrange, conceitualmente, os fenômenos psíquicos, biológicos e físicos incomuns e, portanto, não estudados pelas demais ciências particulares”.

Entre outros estudiosos da mente humana como psicólogo e psiquiatra ele propõe demarcação entre a Parapsicologia e estas ciências. “O campus psíquico é objeto comum de investigação da Parapsicologia, da Psicologia e da Psiquiatria. Assim, todo estudioso da mente humana é genericamente um psiquista, sendo, no seu setor especializado de atuação, denominado de parapsicólogo, psicólogo ou psiquiatra. Por isso, é imprescindível que cada especialista psíquico possua um conhecimento geral do campus psíquico, isto é, que seja também um psiquista e não apenas um parapsicólogo, um psicólogo e um psiquiatra”.

 

9. Classificação das “Escolas” de Parapsicologia pela ABPCM (Associação Brasileira de Parapsicologia e Ciências da Mente).

Mesmo fazendo uma classificação simples, o Parapsicólogo Dr. Pedro Antônio Grisa é bem claro em ver como os grupos de parapsicologia tem se apropriado da mesma e os classificou em “Escolas Católica de Parapsicologia, “Escola Espirita de Parapsicologia” e “Escola Cientifica e Independente de Parapsicologia”. E até aqui neste artigo refleti sobre as correntes parapsicológicas levando em conta esta classificação.

Neste tópico do artigo (número 9), apresento uma outra classificação de “Escolas de Parapsicologia” feita num artigo publicado no site da ABPCM. No site apresentam três escolas também. Chamando-as de “Escolas Gerais de Parapsicologia”:
1.Psi não está comprovada e é sim, uma hipótese. Centram-se assim em pesquisas de laboratório, teóricas, etc. A escola cética impera aqui.
2.Psi está comprovada, mas é um atributo do cérebro. Aqui estão às escolas mais centradas numa espécie de Psicologia que aceita regressões e hipnose. Mas, como a Psicologia hoje aceita a hipnose como técnica clínica legalmente reconhecida, não me parece algo diferente da psicologia.
3.Psi está comprovada, mas é um atributo da consciência (self, espírito, alma, etc.) e as evidências advindas das pesquisas reunidas sistemicamente nos levam a outra Parapsicologia, que considera o fenômeno Psi-theta um fato científico comprovado. Esta vertente vem desde a antiguidade, indo até Swedenborg, Lodge e outros, por exemplo, até Sylvan Muldoon perpassando nos dias atuais com as pesquisas de Hernani Andrade, Ian Stevenson e tantos outros pesquisadores sérios, como Geraldo Sarti, Carlos Tinoco, Fernando Salvino e outros.”

Dentro da visão de “escolas de parapsicologia” do Professor Grisa, posso dizer que a classificação das “escolas” feita pela ABPCM pelo artigo publicado no site da mesma do Prof. Me Sc Fernando Salvino, revisado e adaptado pelo professor José Bonezzi, pelo que tenho de informações dos dois, na visão classificatória do Grisa são da “escola espírita de parapsicologia”É claro como já disse anteriormente, essas classificações são “rótulos”. O Professor Fernando Salvino e José Bonezzi, com certeza não se apresentam assim, e possivelmente não aceita esse rotulo.
O artigo do professor “Escolas Gerais de Parapsicologia”. (ou dos professores por causa da adaptação e atualização do texto) talvez por ser sintético demais deixa várias lacunas e falta de esclarecimentos. Neste artigo o autor desconhece por completo a classificação do Grisa. Desconhece que grupos espiritas claramente tem institutos e cursos de formação em parapsicologia com um direcionamento claro. (Esse desconhecimento não é por falta de conhecimento, pode ser por outras razões como de não querer aceitar classificação que não seja dele). E também desconhece a escola de Quevedo. Mesmo não querendo aceita-lo, não tem como ignorar o Quevedo pelo trabalho que fez só por receber críticas dele.

A primeira escola chamada de: Psi não está comprovada”. Para nome de corrente ou escola de parapsicologia não diz nada. Mesmo querendo quem sabe já classificar pelo fato de “não estar comprovada” como característica do grupo. Falta muitas outras explicações para entendermos que escola é esta. Podemos aqui apresentar vários questionamentos que não são respondidos no artigo e que seria fundamental para ser esclarecedor. Questionamentos como estes: Onde se localiza esta escola? O que fazem seus componentes? São pesquisadores? Se forem, quem são estes pesquisadores? O que tem estudado a partir da parapsicologia? Qual material de pesquisa que utilizam? Quais as pesquisas produzidas? Pertencem a algum grupo religioso? Tem ligação com que tipo de grupo? Tem escola de formação onde? E Como funciona? Como o autor chegou a esta classificação? Será que esta classificação é bem aceita até mesmo entre os espiritas?

A segunda classificação da escola chamada de: “Psi está comprovada, mas é um atributo do cérebro”, para ser melhor compreendida teria que ser respondido os mesmos questionamentos quanto à primeira escola.

Quanto a última ou terceira escola: “Psi está comprovada, mas é um atributo da consciência”, vale os mesmos questionamentos apresentados por mim quanto a primeira escola.

E além do mais afirmar que fenômeno Psi-theta um fato científico comprovado, vamos com calma. Cientificamente comprovado por quem? Aceitos por quem? Esta comprovação é aceita e passada pelo crivo crítico das outras correntes? Tanto é assim que os pesquisadores dos fenômenos Psi-Theta citados no artigo são todos de linha espirita. Nada contra tê-los e reconhece-los como pesquisadores, mas reduzir as pesquisas a estes é altamente ideológica estas pesquisas.

Um desses pesquisadores que é Geraldo Sarti em um dos seus artigos publicado em “portal de parapsicologia”, afirma: “Muito polêmico, o Padre Quevedo talvez não seja um pesquisador, mas sim um divulgador da Parapsicologia no Brasil. Autor de várias obras e ante espiritista declarado, o Padre é uma das maiores personalidades no Brasil.”

Geraldo Sarti, na afirmativa acima não reconhece Quevedo como Parapsicólogo o que é lamentável. Mas o reconhece como divulgador e uma das maiores personalidades no Brasil. Infelizmente Quevedo tem obras ante espiritista, mas não vamos reduzir suas obras a isto, tem inúmeras obras sobre os fenômenos parapsicológicos. Esse não reconhece-lo como parapsicólogo seria o mesmo que um jogador de futebol não reconhecer um outro grande jogador de futebol só porque não joga no seu time e sim no time rival. A mesma coisa de um cantor famoso sentindo incomodado com a fama de outro não reconhecer o colega como cantor desconsiderando, desconhecendo-o.

Nesse ponto parabéns ao Dr. Pedro Antônio Grisa que reconhece e não desmerece os valores das outras escolas, como a do Quevedo e as “espiritas”. Que aprendamos que vivemos num mundo plural e que esta pluralidade deve ser entendida pelos parapsicólogos pois ela passa também dentro da parapsicologia.

 

Conclusão

Nesse artigo, não deixando de reconhecer o valor da Classificação do Professor Dr. Antônio Pedro Grisa, hoje, já passados alguns anos dessa classificação feita por ele, mesmo sendo interessantes na década de 80 e início da década de 90 quando analisa estas escolas, achei por bem ampliar o assunto sobre outros aspectos, fazendo questionamentos, e reflexão. Mostrando e apresentando alguns pontos nestas correntes que Grisa não apresenta. Sua classificação fica muita sucinta e resumida. A classificação menos estudada aqui mas comentada também, ainda que um comentário mais breve, foi a da ABPCM, mais resumida ainda e sucinta e pouco esclarecedora.

Por isso esta minha reflexão foi no intuito de ampliar e conhecer um pouco mais cada uma das correntes. Especialmente as classificadas por Grisa. Acho que muitos colegas, especialmente do sistema Grisa, deverão aprofundar os estudos de temas como este e outros da parapsicologia desenvolvendo e pesquisando um pouco mais o assunto e não ficando somente no aprendido e contentar com o que já temos e especialmente com uma classificação em que com o tempo precisa de maior ampliação.


Referencias:

GRISA, Pedro A. O jogo e a estrutura das personalidades. 7ª edição, Florianópolis: EDIPAPPI/LIPAPPI, 2006.

_______. Paranormalidade – um potencial mental. 7ª edição, Florianópolis: EDIPAPPI/LIPAPPI, 1990.

BACK, Frei Hugolino e GRISA, Pedro Antônio. A cura pela imposição das Mãos, EDIPAPPI, 1990.

BORGES, Valter da Rosa. A Mente Mágica. Edição do Autor, Recife, 2015, 248p.

QUEVEDO, Oscar G. O que é Parapsicologia. 37ª edição. Editora Loyola, São Paulo – SP, 1971.

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MACHADO, Fátima Regina, ESPIRITUALIDADE E SOCIEDADE. – ativo em 07/07/17.
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CATOLICISMO ROMANO. CIRSTIANISMO E PARAPSICOLOGIA – POSICIONAMENTO IGREJA CATÓLICA – ativo em 20/07/17.
http://www.catolicismoromano.com.br/content/view/1068/26/

A Igreja, a mídia e a parapsicologia – ativo em 25/07/17.
http://www.geocities.ws/carlos.guimaraes/quevedo3.html

SALVINO, Dr. Fernando – ativo em 25/07/17
http://parapsicologia-rj.com.br/colaboradores/fernando_salvino.htm

 

Autor: Pe. Emanuel Cordeiro Costa
Parapsicólogo Clinico
SINPASC – 409.
Especialização – Lato Sensu em:
Orientação Parapsicológica Social e Institucional
Pela FAVI – Faculdade Vicentina – Curitiba – PR.
– Psicoterapia Holística: Hipnose –
Terapeuta Holístico Credenciado – CRT 48326
– Paroquia Cristo Libertador
Ipatinga – MG – 25/07/17

3 comentários em ““Correntes (Escolas) de Parapsicologia” no Brasil.

  • 11 de outubro de 2017 em 20:23
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    Parabéns pelo belo trabalho !!! Estamos tambem nor reunindo aqui, formando um grupo de pessoas que estudam a mente, de uma forma bem abrangente, nao se prendendo somente no sistema no qual nos formamos. Sucesso! Muito bom seus esclarecimentos!!!

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  • 11 de outubro de 2017 em 23:28
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    Emanuel, parabéns pela exposição da matéria. Muito esclaesclarecedora. Eu gostaria de receber sempre seus artigos ou publicações

    Resposta
  • 12 de outubro de 2017 em 09:38
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    Interessantíssimo artigo! O autor está de parabéns, abrindo de forma fantástica para reflexões, um tema que ainda não desperta, como gostaríamos, o interesse geral das pessoas.

    Resposta

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