“Cachorro que late não morde”

(Texto de Pe. Emanuel Cordeiro Costa com Certificado de Registro de Averbação na Fundação Biblioteca Nacional – EDA – Nº 548.226 – livro 1044 – folha 49)

É fácil classificar a pessoa a quem se atribui esta frase dizendo: é “uma pessoa que fala de mais, no sentido de ser o tal, ser o valentão, o melhor em tudo, mas no fundo não é nada daquilo que aparenta ser! Por isso, concluímos: “quem muito fala, nada faz.”

Mesmo assim vamos com calma! Um cachorrinho quando late demais e estranhando alguém acaba mordendo a pessoa e todos sabem que a mordida dói bastante. E mesmo quando o cachorrinho fica só no latido dependendo da maneira como late, num tom bem raivoso, vai para o lado da pessoa e volta para traz e rosna, não faz bem a quem está sendo vítima da ameaça do cachorro, deixando muitas vezes a pessoa apavorada. Então o cãozinho pequenino que só late e não morde não é tão inofensivo assim não!

Baseado no que disse acima sobre os cães, vamos a nossa vida prática, quando este cão passa a ser uma pessoa que fala muito e não faz. Façamos uma breve reflexão sobre este provérbio popular. Há muitas pessoas que falam demais e depois acabam cumprindo o que disseram. Quantos, lamentavelmente, assassinatos, a pessoa ameaçou antes e a vítima acreditou no ditado “ele late e não morde” e foram mortas. Quantos crimes passionais em que a mulher foi ameaçada e ficou passiva acreditando” ele não tem coragem” só fala e não faz nada. Há muitos casos desse tipo a toda hora, infelizmente, sendo manchete de noticiários policiais.

Quantas surpresas muitas vezes em acharmos que conhecemos alguém pensando que ela não faz uma coisa e ela faz.

Quantas brigas entre casais, em que um ameaçou o outro de traição e depois ela aconteceu e quem foi a vítima diz “eu não acreditava que tinha coragem de fazer isso não”. Pensava que ele (a) dizia brincando ou para me causar ciúmes.

Mesmo se late, ou seja, fala demais e não causar uma violência física ao outro, não se esqueça que este falar demais de alguém pode ser uma grande fofoca, calúnia, difamação e uma crítica ferrenha sobre o outro. E quem disse que essa crítica ferrenha, mesmo não matando o outro fisicamente não traz os seus estragos psicológicos e morais. Então ele fala muito e não faz? Não faz o que? Não comete um ato de violência fisicamente contra alguém? Ótimo! Mas será que não faz nada mesmo como sugere a frase? Prejudicar a pessoa com falatórios é uma mordida e tanta no seu emocional e muitas vezes na dignidade da pessoa.

O bom é ao termo alguma coisa contra o outro buscarmos como Jesus sugere no evangelho a correção fraterna. Assim haverá um diálogo verdadeiro e sincero evitando os latidos, o falar mal do irmão e saímos desse caminho que traz prejuízo a imagem do outro e crescermos como filhos de Deus.

 

Artigo de: Pe. Emanuel Cordeiro Costa

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