Exemplos de Talento do Inconsciente

Para compreender os exemplos, sugiro o internauta a ler neste mesmo site o artigo sobre Talento do Inconsciente.

Primeiro Exemplo

O médico canadense F. G. Banting trabalhou arduamente no assunto da diabete. Estudou as mais diversas soluções que a medicina apontava para explicar e dominar o mal. Nada o satisfazia. Um dia trabalhou desenfreadamente para encontrar uma solução. Inútil. Cansado, esgotado já, foi dormir de mau humor porque no dia seguinte deveria pronunciar uma conferência sobre o diabete e lamentava não poder oferecer uma solução satisfatória, embora pressentisse que esta solução tinha que existir. Durante a noite, sonâmbulo, levantou-se e escreveu numa beirada de papel estas palavras: ‘Ligar o conduto deferente do pâncreas de um cão de laboratório, esperar algumas semanas até que a glândula se atrofie, cortar, lavar e filtrar a secreção’. De manhã não tinha a menor ideia de ter-se levantado nem de ter escrito, nem sequer de ter encontrado a solução que procurava. Só ao ver a anotação compreendeu o que se passara. Assim foi como o mundo ganhou a insulina”. (QUEVEDO, T.I., 04/01/18).


Segundo Exemplo

Este segundo exemplo, extraído das pesquisas do Parapsicólogo, Pe. Oscar Quevedo. Além de relatar bem o exemplo, ele dá uma longa explicação. Longa, mas interessante para a compreensão do mesmo. Veja: UMA VIAGEM A MARTE.

– “Mas para que se possa ver até onde chega o inconsciente nas suas elaborações, usando Paisagem do planeta marte segundo Helena Smith. Toda a trama do talento inconsciente enganou todo o mundo… dados armazenados na sua memória colossal, combinando-os com assombroso talento, acredito que o caso da médium espírita Helena Smith seja dos mais significativos, ao menos por ser dos mais estudados.

A médium Helena deu umas sessões espíritas sob o controle do Dr. Lemaitre.

Assistia às sessões uma senhora que tinha perdido seu filho, Alexis, três anos antes. Pediu-se então a Helena que evocasse o ‘espírito’ de Alexis. Helena deu algumas respostas, como se proviessem de Alexis. Nada, porém, de notável.

Aconteceu um dia, no entanto, que o professor Lemaitre falou a um parente de Helena sobre o interesse em saber o que havia nos outros planetas e concretamente em Marte. Um mês mais tarde já o inconsciente de Helena começava a dar os primeiros sinais de suas elaborações de aventuras marcianas.

Numa sessão, Helena durante o transe viu à grande altura uma luz resplandecente, afirmando que se sentia oscilar. Logo se sentiu penetrando numa nuvem muito espessa, primeiro azul, depois cor-de-rosa brilhante, depois cinzenta, por fim, preta. Sentiu-se flutuando no espaço. Logo depois via uma estrela que ia aumentando, até ficar ‘maior que uma casa’. Helena sentia que ia subindo. No começo sentia os incômodos da viagem, agora começava a sentir-se melhor. Distinguiu três globos: um deles era muito bonito. ‘Para onde caminho?’ – perguntou a médium- e, servindo-se de um vocabulário convencional por movimentos da mesa, responderam-lhe os ‘espíritos’ (ponho sempre ‘espírito’ entre aspas porque não há espírito humano sem corpo, mortal ou ressuscitado): ‘Para uma outra terra, Marte. Lemaitre, é o que você desejava tanto!’

Helena descreveu as saudações quando da sua chegada a Marte: Gestos barrocos das mãos e dos dedos, estalos duma mão sobre a outra, golpes ou aplicações destes ou daqueles dedos sobre o nariz, os lábios, o queixo; reverências contorcidas e rotações dos pés sobre o chão. Descreveu todo o que via: carros de cavalos sem cavalos nem rodas, deslizando e produzindo faíscas; casas com ondas sobre o telhado, um berço que no lugar de cortinas tinha anjos de ferro com as asas estendidas. As pessoas eram como nós, salvo nas roupas, iguais para ambos os sexos: umas calças muito amplas e uma comprida blusa apertada à cintura e recamada de desenhos.

Numa vasta sala de conferências, encontrou, na primeira fileira dos ouvintes, Alexis, o filho da senhora que assistia às sessões espíritas de Helena.

Ora, Alexis, cujo nome em Marte era Esenale, estava ouvindo uma conferência em marciano. Lógico, portanto, que quando mais adiante falasse por meio de Helena soubesse fazê-lo em marciano. O inconsciente de Helena precisou tempo para ir elaborando, devagar, a língua dos marcianos. Mas no fim o êxito foi completo. Alexis, no começo, falava francês. Mas de repente, passou a entender apenas e falava exclusivamente o marciano. Alexis falou numa difícil língua, desconhecida na Terra. Era ‘a língua de Marte’.

As sessões seriam emocionantes se não fosse o trágico engano! Numa ocasião, a verdadeira mãe de Alexis ajoelhou-se soluçando diante de Helena, por meio da qual estaria falando seu filho. Alexis, então, consolou-a em marciano, com gestos tão doces e inflexões de voz tão ternas que a pobre mãe se sentiu enlevada.

Explicação mais direta do Segundo Exemplo.

Henry e principalmente Th. Flournoy estudaram a fundo a língua marciana de Helena Smith.

Analisaremos o marciano, ligando as frases mesmas usadas pelos pesquisadores: ‘O inconsciente tinha elaborado uma linguagem propriamente dita’. ‘Para entendê-la era preciso estudá-la, para traduzi-la precisava-se de um dicionário, no qual cada palavra tinha seu significado próprio’.

‘O marciano era uma língua completa, tinha sua escrita especial, combinação especial de caracteres’. ‘Estudado a fundo logo se via que não se tratava duma simples gíria ou algaravia de sons quaisquer, ditos ao acaso. Eram palavras, palavras que expressavam ideias e a relação entre palavras e ideias era constante, sendo constante a sua significação’.

O marciano tinha, como todas as línguas, ‘consoantes prediletas, sotaque característico, letras predominantes. Tinha, por exemplo, superabundância de ‘e’ abertas e fechadas, abundância de ‘i’ e escassez de ditongos e nasais’.

– Tal foi o prodígio, que muitos especialistas, grandes sábios, chegaram a pensar que era de fato uma linguagem extraterrena. Mas precisos e pacientes estudos demonstraram que se tratava só de uma modificação, inconsciente, do francês. Irei citando entre aspas as frases usadas pelos pesquisadores que estudaram o caso diretamente com Helena Smith, especialmente frases dos grandes parapsicólogos Teodoro Flournoy, Augusto Lemaitre, Victor Henri, José Grasset, João Lhermitte…

Em primeiro lugar comprovou-se que ‘o marciano se compunha de sons que, tanto consoantes como vogais, existem todos em francês’. ‘A língua do planeta Marte não se permite a mínima originalidade fonética’, O mesmo acontecendo com a escrita: ‘Todos os caracteres marcianos e todos os caracteres franceses se correspondem dois a dois’.

Ora, nas línguas reais, isto não existe jamais. Por mais parecidas que sejam as línguas e por mais próximos que estejam geograficamente os povos que as falam, sempre possuem algum som próprio.

‘Um considerável número de palavras marcianas’ ‘reproduz de modo suspeito o número de sílabas ou mesmo de letras de seus correspondentes franceses e imita às vezes até a distribuição das consoantes e das vogais’.

Com admirável paciência, Flournoy reproduziu, traduziu e analisou quarenta e um textos marcianos demonstrando que as regras de gramática e sintaxe marcianas não são mais do que ‘um decalque ou uma paródia das regras do francês’. Assim, por exemplo, em francês, os sons análogos ‘á’ e ‘a’, preposição e verbo respectivamente, traduzem-se em marciano pelos sons ‘é’ e ‘e’. A palavra francesa ‘que’ tem muitos empregos; em marciano tem as mesmas funções a palavra ‘Ke’. ‘Le’, artigo e pronome francês, corresponde ao marciano ‘Ze’, também artigo ou pronome, etc.

‘Nas frases, a ordem das palavras é absolutamente a mesma em marciano e francês. E isto até nos detalhes’; a separação, por exemplo de ‘ne —- pas’. Até a introdução de uma letra em certas circunstâncias fonéticas: ‘Quand revendra-T-il?’ em francês; ‘Kevi berinmi-M-eb?’ em marciano.

‘O procedimento de criação do marciano parece consistir simplesmente em pegar as frases francesas tal qual são e substituir cada palavra por outra’ qualquer fabricada a esmo, mas frequentissimamente com ‘o mesmo número de sílabas e letras’. O resultado de tudo isto é que as frases são, sim, diferentes das francesas, mas na sua estrutura interna, fonética, sintática e gramatical são idênticas. Flournoy previu ‘a necessidade de um dicionário; não, porém, de gramática’ nem de fonética.

‘O sonho de Dickeres’ desenho que representa o genial novelista sumido em leve sonolência, donde tirava a trama e criava imagens e personagens memoráveis.

– O inconsciente precisa, geralmente, algum tempo para ‘ir abrindo a porta do desvão’ onde está escondido, e manifestar-se. Em regra se manifesta gradativamente. No começo das manifestações é fácil aos especialistas descobrir as explicações dos fenômenos. Quando um mago já se desenvolveu, i. é, quando o inconsciente já tem bastante ou totalmente aberta a porta, pode resultar dificílimo ao pesquisador explicar as manifestações a não ser por comparação com outros casos semelhantes observados do começo.

No caso Helena Smith teria sido difícil aos pesquisadores explicar a aventura e mormente a língua marciana se não tivessem acompanhado os acontecimentos do começo. A elaboração foi progressiva. ‘No começo o marciano é uma linguagem muito imperfeita, rudimentar’, ‘um pseudomarciano’, ‘um quebra-cabeças desordenado’, ‘uma pueril imitação do francês, do qual conserva em cada palavra o mesmo número de sílabas e certas letras principais’. ‘Só meio ano depois o inconsciente tinha elaborado uma linguagem propriamente dita’.

O inconsciente precisou tempo para manifestar parte das suas possibilidades. Mas após a aventura marciana já temos um inconsciente bastante desenvolvido, a porta já está bastante aberta. O tempo necessário para novas elucubrações é cada vez menor, o talento inconsciente de uma pessoa inculta aparece cada vez mais prodigioso.

Somente dezessete dias depois de umas objeções de Flournoy, Helena manifesta novamente o prodigioso talento do inconsciente. ‘Os novos costumes e a nova língua são agora localizados num outro planeta sem nome e desconhecido’. É o ciclo chamado ‘ultramarciano’.

Eu tinha acusado – escreve Flournoy – a quimera marciana de não ser mais do que uma imitação, envernizada com brilhantes cores orientais, do meio civilizado que nos rodeia. Agora aparecia um mundo de um extravagância medonha, com chão preto onde toda a vegetação era eliminada e os seres, grosseiros, mais pareciam bestas do que homens. Eu tinha insinuado que as casas e os habitantes de Marte deveriam ser de dimensões e características diferentes das nossas, e eis que os habitantes do novo globo eram verdadeiros anões, com cabeças duas vezes mais largas do que altas, e as casas em proporção. Salientei a riqueza do marciano em ‘i’ e em ‘e’, incriminei o som ‘ch’, a sintaxe em geral (…) tomados do francês. E eis uma língua absolutamente nova, de um ritmo todo particular, extremamente rica em ‘a’, sem nenhum ‘ch’ e cuja construção era tão diferente da nossa, que não havia meio de encontrara semelhança. Tudo em só 17 dias! (QUEVEDO, T.I., 04/01/18).


Conclusão

Estes exemplos dados aqui, tirados do site do Instituto Padre Quevedo de Parapsicologia, por sua vez foram extraídos do livro do mesmo (Pe. Quevedo), que é “A Face Oculta da Mente”

 

Referencias

QUEVEDO, Oscar G. Talento do Inconsciente. Instituto Padre Quevedo de Parapsicologia. Disponível em: < https://institutopadrequevedo.com.br/portfolio/talento-do-inconsciente/ > Acesso em: 04 de Janeiro de 2018.

QUEVEDO, Oscar G. A Face Oculta da Mente. 19ª edição. Editora Loyola, São Paulo – SP, 2003.

 

 

Autor: Pe. Emanuel Cordeiro Costa
Parapsicólogo Clinico – SINPASC – 409.
Especialização – Lato Sensu em:
Orientação Parapsicológica Social e Institucional
Pela FAVI – Faculdade Vicentina – Curitiba – PR.
Psicoterapia Holística: Hipnose –
Terapeuta Holístico Credenciado – CRT 48326
– Paroquia Cristo Libertador
Ipatinga – MG – 18/01/18

 

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