Exemplos de Xenoglossia


Primeiro Exemplo 

Escreve o grande parapsicólogo Pe. Carlos Maria Herédia, S.J.:

“Uma menina de dez anos sofrera fratura de crânio por causa de uma queda. Veio ter conosco uma mulher, muito aflita, temendo que a filhinha estivesse possessa do demônio (?) pois falava chinês (…) Fomos ver a menina. Efetivamente, por momentos punha-se a falar numa língua desconhecida para nós.
– Como souberam vocês que é chinês o que ela fala? – perguntamos.
– Padre, é porque um chinês que nos lava a roupa a ouviu falar e disse que é chinês.
– Pois chamem o chinês. Após algum tempo, chegaram dois chineses em vez de um.
– Vocês ouviram esta menina falar? – Perguntei-lhes. Um dos chineses fez um sinal afirmativo (…)
– Pergunte em chinês quais as flores da Califórnia (lá aconteceu o fato), de que ela mais gosta. Um dos chineses fez a pergunta, e a menina desatou a falar com extraordinário desembaraço. A princípio os chineses começaram a sorrir, mas depois ficaram muito sérios.
– Que foi que ela disse? – Perguntei. Um dos chineses respondeu:
– Duas toalhas de mesa, três fronhas, seis pares de meias, três lenços… E calou-se.
– Não disse mais nada? – Insisti. Um dos chineses não quis responder, mas o outro, vendo que eu tirara a carteira para recompensá-los se me dissessem tudo, acrescentou:
– Disse outras coisas muito feias que não me atrevo a repetir!” (QUEVEDO, Xenoglossia, 03/01/18)
Explicação do Primeiro Exemplo

“O Pe. Herédia não teve dificuldades para achar a explicação do prodígio. A pobre menina tinha ouvido dos chineses a lista de peças a lavar…, e além disso outras palavras que não designavam roupa nem flores da Califórnia propriamente ditas… O inconsciente arquivou tudo o que ouviu. E o estado alterado de consciência provocado pela lesão craniana fez com que tudo aflorasse à superfície. Conscientemente, a menina não seria capaz de repetir uma só palavra em chinês”. (QUEVEDO, Xenoglossia, 03/01/18)

 

Segundo Exemplo e breve explicação do mesmo.

Reconhece Quevedo que “Às vezes é muito difícil encontrar a origem pantomnésica de xenoglossia, como mostra o seguinte caso de xenoglossia também traumática”. (QUEVEDO, Xenoglossia, 03/01/18). Veja o caso:

“Uma velha, num acesso de broncopneumonia, começou de repente a exprimir-se num idioma desconhecido por todos os presentes. Depois se comprovou que era o industani. A velha desconhecia absolutamente aquela língua.

Foram necessárias longas e laboriosas investigações para comprovar, depois de muito tempo, que até a idade de quatro anos, aquela senhora vivera na Índia. Desde aquela data haviam passado 60 anos”. (QUEVEDO, Xenoglossia, 03/01/18)

 

Portanto, a Pantomnésia tem sido comprovada como a explicação mais frequente de xenoglossia.


Terceiro Exemplo

“A Srta. Iris, de 16 anos, filha do engenheiro químico Gero Farczady, de Budapeste, ‘morria’ em agosto de 1933. Poucos instantes após a ‘morte’, porém, começava de novo a respirar, recuperava os sentidos e terminava por sarar completamente. Mas, agora, dizia ser Lucía Altares de Salvo, espanhola, que acabava de morrer em Madri, rua Obscuro n.º 1, que tinha 40 anos e era mãe de 14 filhos…

Iris (ou Lucía) falou perfeitamente o espanhol de então em diante, e continuou falando-o sempre e em toda parte.
                                                              
Embora para os próprios espanhóis o espanhol falado por Iris não fosse tão perfeito como julgaram os húngaros, não deixaram de considerá-lo bom. O embaixador da Espanha na Hungria, assim como a esposa e filhas (espanholas) do cônsul geral húngaro em Barcelona, reconheceram que o espanhol de Lucía era bastante bom, mas não o de uma verdadeira espanhola”. (QUEVEDO, Xenoglossia II, 03/01/18)


Explicação do Terceiro Exemplo

“Outros espanhóis, ausentes da Espanha por algum tempo, como o empregado de circo Sr. Tadeo Busquel, com o qual Iris-Lucía falou ‘com pasmosa velocidade’ durante mais de uma hora e meia, nem repararam que ela, que se apresentava como espanhola, não o era na realidade. O mesmo aconteceu com o Dr. Pafé, espanhol, professor de línguas em Budapeste…

E não obstante, antes da ‘morte’, Iris não sabia absolutamente nada de espanhol, como testemunharam todos os seus parentes, professores e colegas do Colégio.

Este caso marcante de xenoglossia foi considerado e defendido pelos espíritas como manifesta ‘transmigração da alma dum corpo a outro’ (?!).

Investigações posteriores do Dr. Rothy, presidente do Comitê (e do Congresso Internacional) de investigações Parapsicológicas de Budapeste, fornecem os dados necessários para provar que o caso é plenamente natural.

Comprovou-se, em primeiro lugar, que Iris tinha uma extraordinária facilidade para línguas. Já nos primeiros anos no Colégio Sta. Margarida (Filhas do Redentor Divino), assombrou às professoras pela disposição para o francês. Posteriormente, aos 14 anos, demonstrou de novo sua facilidade para línguas, ou melhor, a sua capacidade invulgar
de acomodar todo o mecanismo cerebral da fala a uma nova língua. Fora à Holanda. Depois de quatro meses, comprovou-se que Iris esquecera completamente o húngaro, sua língua materna (só o entendia), mas falava agora perfeitamente o holandês, como se fosse holandesa de nascimento.

Quando o caso Iris-Lucía, já tinha revolucionado o mundo, o comissário de polícia de Budapeste teve que ocupar-se da jovem. O embaixador espanhol desejava saber se Iris-Lucía não seria uma das três meninas que tinham desaparecido em Madri.

Segundo os dados encontrados pela polícia Iris nunca tinha estado na Espanha, mas ouvira muito falar espanhol, quando residia, ainda criança, na Holanda, e até dissera algumas palavras e pequenas frases em espanhol. Ao voltar, criança ainda, para a Hungria, esqueceu completamente o pouco espanhol que aprendera. Assim se explica que nem professoras, nem colegas, a ouviram jamais proferir palavras em espanhol.

O parapsicólogo professor Rudolf Houti explicou na Delegacia de Polícia ser possível que o espanhol, que Iris gravara na memória infantil e conservara por pantomnésia inconsciente, surgisse aos 16 anos de idade à consciência por ocasião da ‘grave’ doença sofrida.

Tenha-se em conta, aliás, que Iris evidentemente teve que ouvir muito espanhol: na Hungria há muitos espanhóis, especialmente judeus-sefarditas, que em épocas passadas foram expulsos da península…

Outros dados apareceram, fortalecendo a explicação. O Dr. Zoltán Végh, professor de espanhol no Colégio Madrách, costumava ensinar conjuntamente as palavras ‘calle’ (rua) e ‘obscuro’, contando uma anedota, extraída de um jornal de Madri. Ora, a personalidade espanhola de Iris-Lucía, assegurava ter morrido em Madri na ‘Calle Obscuro’.

Isto demonstra que Iris-Lucía conheceu, por meios normais ou hiperestésicos, alguma coisa do espanhol ensinado pelo professor. É claro que ‘um espírito transmigrado’ (?!) da Espanha não iria utilizar justamente esta anedota do Dr. Végh. Mas isso explica que o inconsciente fingisse um espírito madrileno, ‘desencarnado’ (?!) na Calle Obscuro…

Comprovou-se também que a personalidade Lucía era completamente imaginária. A polícia espanhola não encontrou em Madri nenhuma Lucía Altares de Salvo. Em Madri não existiu nunca uma rua chamada Calle Obscuro. Lucía dizia que em Madri tinha uma irmã casada com o cabeleireiro Emílio Andro, que morava na Rua da Virgem n.º 23. Tudo absolutamente falso, pura imaginação. Lucía também citou o nome da escola onde estariam estudando três dos seus 14 filhos. Nem a escola nem os filhos foram encontrados em Madri…

Como confirmação basta indicar que não ‘desencarnou’ nem ‘transmigrou’ a alma de Iris, para expressar-me nos absurdos termos dos reencarnacionistas. A personalidade de Iris não desapareceu totalmente, mas unicamente da superfície. E assim se explica também que entendia o húngaro, apesar de não o falar. O Dr. Dido Kassal teve a acertada ideia de hipnotizar a Iris-Lucía. Então aflorou à superfície a personalidade ‘desaparecida’ de Iris e até nos deu a explicação psicológica de por que o inconsciente programou toda a ‘novela’ da Lucía espanhola: ‘Ninguém me compreendia. Na escola me chamavam gênio. E que são os gênios? São a mais difícil natureza. Um gênio morre jovem (e ela fingiu a morte aos 16 anos). Para o gênio ser compreendido, deveria rebaixar-se a lutar sozinho contra a multidão. O gênio avança vários séculos, enquanto os outros ficam no presente. Essa é a razão do desacordo que existe (eis o que lhe doía…) e que só a posteridade compreenderá’. Considerava o mundo indigno dela e por isso a personalidade Iris finge retirar-se do mundo refugiando-se na personalidade Lucía: caso característico em Psicopatologia.

O caminho para a maravilhosa aparição da personalidade Lucía, arquivada no inconsciente da personalidade oficial Iris, foi se preparando e aplainando por muito tempo: Cada vez mais a personalidade Iris fugia para longe; com mais frequência e por mais tempo era substituída por outras personificações do inconsciente: anjos e demônios, seres de outros planetas, famosas personagens modernas e ainda vivas, ou antigas, como Xerxes, Leônidas, Leila uma das esposas de Artaxerxes, etc. Raramente um ‘João-ninguém’: megalomania característica desses casos.

Tais mudanças de personalidade foram, no começo, de poucos minutos, mais adiante de algumas horas e, ultimamente, uma personalidade espanhola conhecida pelo nome de Letícia permaneceu durante toda uma semana. Quando Iris ‘acordou’, depois de toda esta semana de fuga da realidade, insuportável para ela, já estava suficientemente preparada e pouco depois apareceu definitivamente a personificação altamente compensadora de Lucía Altares de Salvo.

O inconsciente solucionou definitivamente o drama da menina Iris Farczady, que agora se movia docemente num mundo irreal”. (QUEVEDO, Xenoglossia II, 03/01/18)

 

Conclusão

Estes exemplos dados aqui, tirados do site do Instituto Padre Quevedo de Parapsicologia, por sua vez foram extraídos do livro do mesmo (Pe. Quevedo), que é “A Face Oculta da Mente”.


Referencias

QUEVEDO, Oscar G. Xenoglossia. Instituto Padre Quevedo de Parapsicologia. Disponível em: < https://institutopadrequevedo.com.br/?portfolio=xenoglossia  > Acesso em: 03 de Janeiro de 2018.

QUEVEDO, Oscar G. Xenoglossia II. Instituto Padre Quevedo de Parapsicologia. Disponível em: < https://institutopadrequevedo.com.br/?portfolio=xenoglossia-ii  > Acesso em: 03 de Janeiro de 2018.

QUEVEDO, Oscar G. A Face Oculta da Mente. 19ª edição. Editora Loyola, São Paulo – SP, 2003.

 

Autor: Pe. Emanuel Cordeiro Costa
Parapsicólogo Clinico – SINPASC – 409.
Especialização – Lato Sensu em:
Orientação Parapsicológica Social e Institucional
Pela FAVI – Faculdade Vicentina – Curitiba – PR.
Psicoterapia Holística: Hipnose
Terapeuta Holístico Credenciado – CRT 48326
– Paroquia Cristo Libertador
Ipatinga – MG – 26/01/18

 

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