Fé e Coragem

(11 de fevereiro: 6º Domingo do Tempo Comum – Evangelho de Marcos 1,40-45)

Assim chamada lepra, como toda doença, era considerada pelo povo da Bíblia como consequência de uma culpa. Era entendida como castigo de Deus por um pecado cometido. As pessoas que viviam sob o estigma dessa enfermidade sofriam maior discriminação, e sobre elas Levítico 13-14 previa uma série de regras a observar. Deviam viver afastadas do convívio social e alertar os que porventura se aproximassem. As marcas da doença no corpo, portanto, mantinham abertas as piores feridas na alma: ser considerado impuro e maldito e ter de viver na exclusão.

Mas, para aquele doente que se aproximou de Jesus, maiores que as feridas eram a fé e a coragem. Mesmo correndo o risco de ser apedrejado, ele se aproximou e suplicou de joelhos. Não pediu que chamassem Jesus até ele. Teve a iniciativa e a coragem de buscar o mestre por si mesmo, mostrando que, em vez de se conformar com ser considerado objeto de maldição, queria mesmo era ser sujeito da própria história. E foi. E, em seu pedido, expressou sua fé: a certeza de que Jesus tinha o poder de purifica-lo, de livrá-lo da doença e da exclusão social.

Ao estender a mão àquele doente de pele e tocar nele, Jesus desautorizou todo um sistema religioso que, em vez de acolher e ajudar os enfermos e necessitados, os mantinha à margem, vítimas da imagem equivocada de um Deus que castiga ao invés de perdoar.

Diferente dos sacerdotes, que se limitavam a declarar alguém puro ou impuro, Jesus declara puro purificando de fato. E o homem curado é instruído a apresentar-se ao sacerdote. Ele, que até então sofrera na pele o preconceito e a exclusão, precisava agora se confrontar com a religião que assim o havia mantido. A ação de Jesus, que cura e livra de preconceitos, mostra que a verdadeira religião é aquela que aproxima as pessoas de Deus e cria comunhão.

A fé em Jesus, que continua a nos estender a mão e a nos tocar, leva-nos a ser sujeitos da história, sujeitos do próprio discipulado, para superar preconceitos, para nos aproximarmos de quem sofre exclusão, para construirmos a comunhão bandida dos filhos de Deus.

 

Pe. Paulo Bazaglia, ssp
Fonte: Folheto Litúrgico “O Domingo”, Ano LXXXVI, nº 7 – 6º domingo do Tempo Comum. Pagina 4, Paulus.

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