FINADOS – NOSSO ÚLTIMO DESTINO

 

O texto sobre o qual refletimos aqui é a conclusão do último dos grandes discursos de Jesus no Evangelho de Mateus. Está em sintonia com o início do primeiro discurso, as bem-aventuranças. Em outras palavras: o evangelista conclui os discursos de Jesus e, ao mesmo tempo, retoma o início deles, mostrando que a herança de cada pessoa dependerá da acolhida ou não dos bem-aventurados.

O texto é também uma releitura da profecia de Ezequiel 34, a qual apresenta o rei-pastor que julga entre ovelha e ovelha. A condenação não recairá apenas sobre os governantes, mas também sobre os poderosos (ovelhas gordas) que oprimem os pobres (ovelhas fracas).

Segundo a passagem evangélica, o destino último de cada um será a coroação do que tiver praticado ao longo da vida. O critério será a vivência ou não das chamadas obras corporais de misericórdia. O agir cristão se fundamenta na adesão ao projeto de Jesus, que propõe a partilha do pão, da água, da casa, da roupa, da saúde e da liberdade – isto é, das necessidades humanas fundamentais.

Não podemos, porém, entender tais atitudes como simples assistencialismo. É urgente ajudar a quem precisa, mas a proposta de Jesus é ir além da mera satisfação momentânea e pontual das necessidades.

Acomodar-se é contribuir para a situação de fome, de sede, de falta de moradia e de trabalho; é colaborar com a precariedade da saúde pública e com a falta de liberdade das pessoas. Portanto, negar-se a ser solidário com os pobres é ter parte de responsabilidade pela condição em que vivem.


Na grande cena dramática sobre o juízo final se revela o destino último de cada ser humano. O Rei não perguntará a que Igreja ou religião pertencemos nem quantas celebrações litúrgicas frequentamos – ainda que elas sejam importantes para nos manter sintonizados no essencial –, e sim o que fizemos em favor dos necessitados. Neste momento supremo, como seria bom ouvir: “Recebe como herança o reino que meu Pai preparou desde a criação do mundo”.


Encontramos a Deus em cada pessoa que acolhemos em vida, principalmente nas mais necessitadas.

Pe. Nilo Luza, ssp


Fonte: Liturgia Diária de Novembro de 2018. Paulus. P. 28

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