CORAÇÃO SINCERO      

Ref.: 32º Domingo do Tempo Comum (11 de novembro)

O Templo de Jerusalém era o centro do poder político e religioso do tempo de Jesus. Aí fica evidente a diferença entre os doutores da Lei e as viúvas. Os doutores da Lei representam as lideranças do povo, e as viúvas representam as pessoas mais pobres e desprotegidas da sociedade.

Jesus vê o coração das pessoas, indo além das aparências. Ele vê o que está na raiz das decisões que tomamos e das ações que praticamos.

Vê a vaidade, o vazio de quem faz as coisas apenas para aparecer. Vê a maldade de quem, usando a religião, explora a fé do povo, tal como os doutores da Lei. Estes, de fato, deviam proteger as viúvas, mas acabavam cobrando tanto por seus serviços, que elas muitas vezes tinham de lhes entregar até a própria casa.

Jesus vê o coração dos exploradores e sua esmola, e vê o coração da pobre viúva e sua fé. Pois o que, para os doutores da Lei, era esmola, algo supérfluo, para a viúva era tudo o que possuía para viver, uma aposta de vida e um abandono total nas mãos de Deus. Depositando aquelas duas moedinhas, ela na verdade estava depositando em Deus toda a sua vida e demonstrando, enfim, o que é a fé. Pois a autêntica atitude religiosa é entregar-se totalmente a Deus, em vez de simplesmente confiar no próprio poder e riqueza.

As palavras de Jesus questionam as intenções que temos no coração. Mas questionam também a crueldade de práticas que, revestidas de religiosidade, não fazem mais que explorar a fé das pessoas simples e sinceras. É fundamental que cada cristão colabore com a manutenção de sua comunidade de fé e, sobretudo, com a promoção de seus membros mais necessitados. Mas o elogio de Jesus ao gesto da viúva nos leva a perguntar: é justo uma religião tirar de uma pessoa pobre tudo o que ela tem para sobreviver?

Quanto às intenções que cada um de nós guarda no coração, até podemos enganar os outros e a nós mesmos, mas com Deus nosso encontro só pode ser franco e sincero, sem máscaras nem tapeações. Caso contrário, nunca será um encontro verdadeiro.

Pe. Paulo Bazaglia, ssp

 

 Fonte: Liturgia Diária – Novembro de 2018 – pagina 54 – Paulus.

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