BATISMO E VIDA ECLESIAL

“Se alguém não nascer do alto, não poderá ver o reino de Deus” (Jo, 3,3)

O que essa frase de Jesus, dirigida a Nicodemos, nos fala hoje? Jesus se refere ao novo nascimento espiritual recebido no batismo, o dom da filiação divina. Dom porque é graça, gratuidade de Deus.

Temos consciência do nosso batismo e sabemos o que significa ser batizados? Deus nos recria em seu Filho, Jesus, nas águas do nosso batismo. Somos lavados, purificados e tornamo-nos novas criaturas.  

No batismo é impresso em nossa alma um caráter indelével, isto é, uma marca espiritual que nunca será apagada, mesmo que não correspondamos à graça conferida a nós por meio da água e do Espírito Santo recebido na unção do santo óleo.

O Catecismo da Igreja Católica recorda estas palavras, que definem a riqueza do nosso batismo: “O batismo é o mais belo e magnifico dos dons de Deus […] Chamamo-lo dom, graça, unção, iluminação, veste de incorruptibilidade, banho de regeneração, selo e tudo o que há de mais precioso. Dom, porque é conferido àqueles que não trazem nada; graça, porque é dado mesmo aos culpados; batismo, porque o pecado é sepultado nas águas; unção, porque é sagrado e régio (como aqueles que são ungidos); iluminação, porque é luz irradiante; veste, porque cobre a nossa vergonha; banho, porque lava; selo, porque nos guarda e é sinal do senhorio de Deus” (n. 1.216).

Não há dignidade maior que ser filho ou filha de Deus. Todo e qualquer título recebido, seja na Igreja ou na vida civil, nunca se igualará à filiação divina. Toda vida cristã inicia-se com o batismo. Por essa razão, ele é também chamado de porta de entrada, pela qual passamos para fazer parto do Corpo Místico de Cristo, membros da Igreja.

São João, em sua primeira carta, fala-nos de modo tão forte do amor de Deus, que nos deixa assustados! Nós pensamos nesse amor tendo por base o amor humano, por isso não levamos a sério o quanto Deus nos ama. São João repete muitas vezes: Deus é Amor, quem ama permanece em deus. Se olhamos para nós mesmos, ficamos tristes, pois não somos capazes de viver esse amor imenso nem a Deus nem, muitos menos, aos nossos irmãos. Temos muita dificuldade em acreditar no amor de Deus e vivemos um amor humano a nosso modo. Mas sempre há tempo para começar: Deus nos conceda sua graça e abra nosso coração para amarmos como ele nos ama.

 

Geraldo Majella Agnelo
Cardeal arcebispo Emérito de Salvador.

Fonte: Liturgia Diária – Ano XXVIII – nº 326 – Fevereiro de 2009 – Paulus

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