Afinal Quem Manda na Floresta?

Enfim, resolveu o Leão sair para fazer sua pesquisa, verificar se ainda era o Rei dos Animais. (…) Encontrou o Macaco e perguntou:
– Ei, você aí, Macaco, quem é o rei dos Animais?
O Macaco, surpreendido pelo rugir indagatório, deu um salto de pavor e, quando respondeu, já estava no mais alto galho da mais alta árvore da floresta;
– Claro que é você, Leão, claro que é você!
Satisfeito, o Leão continuou pela floresta e perguntou ao Papagaio:
– Currupato, Papagaio. Quem, segundo o seu conceito, é o Senhor da Floresta, não é o Leão?
E como aos Papagaios não é dado o dom de improvisar, mas apenas o de repetir, lá repetiu o Papagaio, rumorejando as asas:
– Currupato… É o Leão? Não é o Leão? Não é o Leão, currupato?
Cheio de si, o Leão penetrou mais ainda na floresta adentro, em busca de novas afirmações de sua personalidade. Encontrou a coruja e perguntou:
– Coruja velha, não sou eu o Maioral da Mata?
– Sim, ninguém duvida de que és tu – disse a Coruja. Mas disse de lábia, não crente. E lá se foi o leão, mais firme no passo, mais alto de cabeça, sem nem mesmo perceber que a floresta se adensava e se espinhava. Encontrou o Tigre!
– Tigre – disse em voz de estentor, para impor-se ao rival terrível – não tens a menor dúvida de que sou o Rei da floresta. Certo?
O Tigre rugiu, hesitou, tento não responder, mas sentiu o barulho do olhar do Leão queimando as folhas e disse:
– É.
E quando o Leão se afastou, rugiu de novo, ainda mais mal-humorado e já arrependido.
Três quilômetros adiante, numa grande clareira, o Leão encontrou o Elefante.
Perguntou:
– Elefante, quem manda na floresta, quem é o Rei, Imperador, Czar, Legislador, Presidente da República, dono e Senhor das árvores e seres dentro da mata?
O Elefante pegou-o pela tromba, deu voltas com ele pelo ar, atirou-o contra o tronco de uma árvore e desapareceu floresta adentro.
O Leão caiu no chão, tonto e humilhado, levantou-se lambendo uma pata quebrada e murmurou:
– Que diabo, só porque não sabia a resposta, não era preciso ficar tão zangado.           

Moral: Cada um tira dos acontecimentos a conclusão que entende.
(Fernandes, Millor. Pif – Paf. Rio de Janeiro, nº 1. Maio, 1964).

A moral dessa história também poderia ser a seguinte: Todo poder que não encontra limite tende a tornar-se absoluto.

Fonte: Livro: OSPB, Autor: Claudino Piletti, Editora: Ática, pág. 31.

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