12° DOMINGO DO TEMPO COMUM – 23 de junho de 2019

Leituras:
Zc 12,10-11; 13,1 / SI 62(63),2-4.5-6.8-9 / GI 3,26-29 / Lc 9,18-24
“A MINH’ALMA TEM SEDE DE VÓS,  MINHA CARNE TAMBEM VOS DESEJA”. (Sl 62/63,2cd)

  1. Situando-nos

Após as festas de todo o ciclo Pascal, desde a Vigília de Páscoa até a festa da Santíssima Trindade, hoje, retomamos o Tempo Comum. Nele revivemos os acontecimentos, as palavras e as obras realizadas por Jesus, o Cristo de Deus, em sua vida com seus discípulos e com os habitantes da Galileia. Em todos estes fatos e ensinamentos, Jesus revela-nos em sua messianidade toda a riqueza do amor do Pai.
Somente Jesus realiza a profecia da fonte aberta em Jerusalém que nos lava de todo o pecado (Zc 13,1b). Esta fonte de graças, que é Jesus, transformou-nos em herdeiros de todas as graças de Deus (Gl 3,29b). Regenerados em Jesus, tornamo-nos criaturas novas.
Mais uma vez, percorrendo neste ano todo o ciclo da morte e ressurreição do Senhor, aprendemos a tomar nossa cruz e a dele todos os dias para salvar-nos e para salvar por meio da nossa contínua oferta como Jesus, por Jesus e em Jesus (Lc 9,24).

“Vosso amor vale mais do que a vida”. (S1 62/63,4)

  1. Recordando a Palavra

A profecia de Zacarias, anunciando o restabelecimento espiritual de Jerusalém, serve-se daquelas imagens que tecerão aos olhos dos cristãos o rosto salvífico do Messias. Daquele mesmo que foi transpassado aos olhos de todos, lamentado como um filho único, dele brotou uma fonte de remissão e de graça que lava todos os pecados daqueles que nele creem. Esta é a fonte inesgotável da presença sacramental do ressuscitado na vida da igreja e em todos os seus discípulos e discípulas.
Paulo, na Carta aos Gálatas, apresenta as consequências últimas da nossa pertença a Cristo. Uma realidade moral, espiritual, teológica e social totalmente nova foi estabelecida, configurando-se em uma autêntica nova criação. Cumprindo o seu objetivo, a Lei indicou-nos as trilhas da fé em Jesus Cristo. O batismo, a nova criação aos moldes do Filho, nos revestiu com os paramentos da graça que a nós todos foi entregue pelo nosso Senhor e Salvador. Nesta nova atmosfera da graça do Pai, caem aqueles antigos muros que marcavam a velha criação: não há mais judeu ou grego, todos são filhos; não há mais escravos ou livres, todos são irmãos; não há mais homem ou mulher, todos são um em Jesus Cristo. Nisso consiste a herança que de Jesus recebemos. Dessa herança somos chamados a viver e essa mesma herança, com nossas vidas, devemos transmitir.
A confissão de Pedro no Evangelho de Lucas, inserida no contexto da multiplicação dos pães (Lc 9,10-17), da transfiguração de Jesus (Lc 9,28-36) e do início do caminho de Jesus na direção de Jerusalém (Lc 9,51-52), ensina tres elementos essenciais da messianidade de Jesus: 1) Pedro recebe o dom da fé em Jesus Cristo convivendo e aprendendo do mestre pelos caminhos da Galileia; 2) Pedro não duvida e nem questiona que este caminho leva ao ofertório de Jesus na cruz; 3) Pedro e toda a Igreja sabem que só pode estar no seguimento de Jesus, o Messias, aquele que também estiver disposto a tomar sua cruz e a oferecer-se com Jesus e como Jesus.

“Cantará a alegria em meus lábios, ao cantar para voz meu louvor”. (S1 62/63,6b)

  1. Atualizando a Palavra

Mesmo que Jesus já tenha derrubado todos os muros, eles teimam em não cair por causa do pecado. Reerguidos, estes muros impedem que a fonte da salvação chegue límpida e pura a todos os que têm sede da água da vida. Permanecendo assim isolados da herança do Cristo merecida para todos os homens e mulheres de boa vontade, muitos são excluídos, vivem no medo, mergulham no mal e desconfiam do amor de Deus-Pai. Somente o testemunho da Cruz de Jesus, fonte perene de salvação e de amor, sendo levado adiante pelos seus discípulos, “novos Pedros” pode fazer chegar esta fonte até os confins da terra e até o mais profundo do coração humano.

“Para mim fostes sempre um socorro”. (SI 62/63,8a)

  1. Ligando a Palavra com a ação litúrgica

A celebração da santa Liturgia, memória viva do nosso Salvador, faz-nos todos participantes desta incomensurável herança que por amor e do amor recebemos. Sedentos do Senhor, acorremos aqui à fonte de salvação que jorra do altar do seu coração. Mergulhados em sua santa palavra recobramos as vestes da graça, preciosas roupas de festa, que dele recebemos no nosso batismo. Transfigurados pela graça divina, podemos abraçar nossa cruz, que também é de Jesus, e oferecê-la como nossa herança mais cara a toda a humanidade. Como Pedro e com toda a Igreja, não nos escandalizamos da cruz. Sabemos que somente dela brota a graça da riqueza eterna que não passa e que ninguém pode roubar ou destruir.

 
Fonte: Viver e aprofundar a alegria do evangelho – Roteiros Homiléticos do Tempo Comum I – Junho/Agosto – Ano 5 nº 24 – p. 18-20 – 2019 ano C – Edições CNBB.

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