15° DOMINGO DO TEMPO COMUM

– Dt 30,10-14; SI 68; Cl 1,15-20; Lc 10,25-37 – 14 de julho

A parábola do Bom Samaritano nos leva para o centro, o cerne de nossa vida cristã. No diálogo de Jesus com o mestre da Lei, nasce essa bela parábola, que nos mostra como deve ser o povo da nova Aliança. É o amor que revela quem é Deus, pois Ele é Amor.

O mestre da Lei quer saber como poderá possuir a vida eterna, e Jesus lhe diz: “Fazei isso e viverás”. E, porque o mestre da Lei quer saber quem é o próximo, Jesus conta a parábola do Bom Samaritano.

O caminho da vida eterna é o do amor a Deus e aos irmãos. O ensinamento de Cristo sobre o amor a Deus e ao próximo é exigente, pois é preciso mudar a mentalidade.

O sacerdote e o levita, mergulhados na mentalidade do puro e da impureza, passam longe do homem caído à beira da estrada. Resguardavam-se na Lei, mas não no amor, na misericórdia.

Aparece a terceira pessoa que é o samaritano e que tem uma atitude completamente diferente. Quem o interpela não é a Lei do puro e impuro, mas o sofredor, o homem caído à beira da estrada. O próximo o interpela. Toma sua decisão não conforme a lógica legal, mas conforme a lógica da compaixão.

Jesus nos dá um ensinamento claro: a questão fundamental não é saber quem é o meu próximo, mas como tornar-me próximo. Tornar-se próximo é muito diferente do saber quem é o meu próximo. Essa atitude derruba muitas barreiras que nós mesmos construímos entre nós. Às vezes, até para fazer um bem, nós analisamos muito, para depois tomar a decisão. Entre o ser beneficiado e o beneficiar há grande diferença, pois fazemos nossas ponderações e até demoramos em decidir.

O samaritano não entrou na lógica da análise do fato, simplesmente tomou a atitude da misericórdia: “Quem está caído e ferido é meu irmão”. Deixar-se mover pela lógica da misericórdia não nos traz o sucesso de grandes empreendimentos, de reconhecimento, porém nos abre as portas da eternidade. Em um mundo tão marcado pelo “valor” da posse e do poder, a lógica da misericórdia parece até ficar esquecida.

O que devemos fazer como cristãos e como Comunidade cristã: devemos, sim, deixar-nos penetrar pela mesma misericórdia divina que vai ao encontro da ovelha perdida, que acolhe o filho que retorna, que faz o próprio Filho de Deus morrer na cruz. A Palavra dessa Liturgia interroga nossas atitudes como cristãos, se estamos ou não usando de misericórdia para conosco e para com os irmãos e as irmãs.

 

Fonte: Reflexões e Sugestões Litúrgicas – Deus Conosco – p. 71-72 – 2019 – Editora Santuário

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