Multiplicação dos pães não é abracadabra

(Texto de Pe. Emanuel Cordeiro Costa com Certificado de Registro de Averbação na Fundação Biblioteca Nacional – EDA – Nº 527.762 – livro 1002 – folha 321)

No meu livro A Força da Oração, Mística e Espiritualidade analisei no capítulo cinco no terceiro exemplo bíblico a passagem do evangelho de Marcos capítulo 6, versículos 30 a 44 o trecho conhecido como da “Multiplicação dos Pães”. Na Verdade, aqui vemos um grande ensinamento de Jesus quanto a “Partilha do Pão”. No versículo 41 diz que “Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, abençoou-os e os deu a seus discípulos, para que lhes distribuíssem, e repartiu entre todos os dois peixes”.

Numa leitura um pouco desatenta parece que a coisa aconteceu como uma mágica, num palco onde o mágico coloca um pano sobre cinco pães e dois peixes e diz alguma coisa como “abracadabra”, aí tira o pano e aparece milhares de pães para as pessoas comerem.

Numa leitura um pouco mais atenta vemos que primeiro não fala o texto de multiplicação e nem milagre. Fala que Jesus erguendo os olhos aos céus, abençoou-os, depois fala que os partiu e deu a seus discípulos para que distribuíssem e foi repartido depois entre todos e todos comeram e sobrou ainda. Então vemos a grande lição, quando cada um coloca o pouco que tem para ser partilhado com a graça de Deus “o pouco com Deus” se torna muito, abundante e ninguém passa necessidade. Veja que os apóstolos foram envolvidos e tiveram que distribuir, tiveram que partilhar. Antes queriam despedir a multidão, queriam sair fora do problema, dispensando os famintos. A solução existe quando nos dispomos a trabalhar para transformar essa sociedade numa sociedade onde aprendamos a partilhar.

Querem uma solução mágica e esta como muitas vezes queremos não existe. E o próprio Jesus que tinha poder divino para dar o pão para todos assim não fez. Talvez para nos mostrar aquilo que é possível o homem fazer pelo bem da humanidade, façamos nós mesmos, é claro contando com a graça de Deus. E não fazermos da religião um meio de jogar para Deus o que não temos coragem de fazer e enfrentar como os apóstolos num primeiro momento tentaram fazer.

 

Artigo de: Pe. Emanuel Cordeiro Costa

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