Bode Expiatório

(Texto de Pe. Emanuel Cordeiro Costa com Certificado de Registro de Averbação na Fundação Biblioteca Nacional – EDA – Nº 544.724 – livro 1036 – folha 488)           

Quanto a origem do termo “bode expiatório”, vamos encontrar na bíblia no livro do levítico capítulo 16, especialmente nos versículos 20-22 a respeito deste ritual, onde “dois bodes eram levados, juntamente a um touro, ao lugar de sacrifício”. “No templo os sacerdotes sorteavam um dos bodes. Um era queimado em holocausto no altar de sacrifício com o touro. O segundo tornava-se o bode expiatório, pois o sacerdote punha suas mãos sobre a cabeça do animal e confessava os pecados do povo de Israel. Posteriormente, o bode era deixado ao relento na natureza selvagem, levando consigo os pecados de toda a gente, para ser reclamado pelo anjo caído Azazel. ” Então vemos que o bode deveria ser entregue a própria sorte, abandonado no deserto sem chances de vida.

Deixando o animal de lado, as coisas ficam pior, porque normalmente acaba sendo uma pessoa que passa como “bode expiatório”. Sendo “aquela pessoa sobre quem se faz recair a culpa dos outros ou a quem se imputam todos os reveses e desgraças’.

Todos temos falhas e pecados, mas é melhor não vê-los e vê-los nos outros, batendo-os com as nossas fofocas e calúnias, colocando nas costas dos outros o peso que temos dificuldades de carregar. Muitas vezes não são exatamente os mesmos defeitos que projetamos em alguém (bode expiatórios) mas semelhantes.

Por trás das fofocas e calúnias está nossa atitude condenatória, que nos impede de ver o outro como humano e nós mesmos em nossa humanidade.

No evangelho de João capítulo 8, versículos de 1 a 11, muitos querem matar uma mulher pega em adultério, e estão todos com pedras nas mãos para apedrejá-la, julgando serem melhor, e bons, com direito de fazer justiça com as próprias mãos. É claro que querem muito mais aqui é atingir Jesus criando uma situação embaraçosa para ele. No entanto quando ele diz quem não tiver pecado atire a primeira pedra as coisas se complicaram. Pois odiavam na mulher o mesmo que também faziam e praticavam que era o adultério. Mesmo que não fosse exatamente o adultério, mas todos tinham os seus pecados que não admitindo querem imputar sobre a mulher.

Nossa sociedade não permite o apedrejamento como no passado. Mas inventamos um outro modo, não matamos fisicamente, mas carregamos inúmeras pedras que destrói o outro psicologicamente e moralmente, com fofocas, calúnias e difamações e críticas destrutivas.

Jesus passou por esta situação ao ser crucificado pelos pecados de toda a humanidade. E os que zombavam dele, faziam isto com que direito? Julgavam melhor que ele naquele momento, ao ridiculariza-lo. Que necessidade de sentir superior, melhor e achar que o outro é inferior. Quem traz este sentimento sádico e odioso, sabe que seu sentimento não ajuda o outro, só serve para destrui-lo. Mas quem não quer ver seu pecado se julga superior e com direito destruir o outro.

Um pequeno exemplo: “a professora chama a atenção de um aluno por causa de alguma estripulia na sala de aula e a primeira coisa que ele responde é “não fui eu”. Talvez por este não ser popular, ser tímido, ou manifestar alguma ingenuidade em alguns momentos, torna-se um prato cheio para virar o bode expiatório da turma.

“O bode expiatório é alvo favorito dos zombeteiros e daqueles que querem fazer alguém se submeter ao ridículo, recebendo arbitrariamente as culpas pelos erros dos outros.” Este comportamento não ajuda em nada quem é esta pessoa na condição de “bode expiatório”. Mas não querem ajudar, querem destruir, este sadismo é mais doentio levando alguém a condição do “bode expiatório. ”

Na história do Brasil temos inúmeros casos como o de Tiradentes. E em todo a história humana, a humanidade “é rica em exemplos de dominantes que escolheram os mais fracos e indefesos para “pagarem o pato”, encobrindo os verdadeiros propósitos, que eram suas ganâncias e ambições”, esconderam o ódio que esta dentro de si, talvez dos seus próprios defeitos, e jogaram encima de alguém. São ainda lamentáveis estes fatos.

Não precisamos de bode expiatório! Jesus morreu pelos nossos pecados! Não jogar pedra no outro é um convite a ver nossos erros! Não nos culpabilizando, mas vendo os nossos erros como um convite à mudança, nos convertendo. É um convite a ver o outro como humano, como todos nós!

                                                  

Artigo de: Pe. Emanuel Cordeiro Costa

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