Nº 2 – Competição – Primeira Iluminação Bíblica.

(Artigo de: Pe. Emanuel Cordeiro Costa)

Recomendo a Você Internauta, que se não leu, leia o artigo com este mesmo título de nº 1.

Primeira Iluminação Bíblica:
Evangelho de Lucas 22,24-27
24 Entre eles houve também uma discussão sobre qual deles deveria ser considerado o maior. 25, Jesus, porém, disse: “Os reis das nações têm poder sobre elas, e os que sobre elas exercem a tirania, são chamados benfeitores. 26 Mas entre vocês não deverá ser assim. Pelo contrário, o maior entre vocês seja como o mais novo: e quem governa, seja como aquele que serve. 27Afinal, quem é o maior: aquele que está sentado à mesa, ou aquele que está servindo? Não é aquele que está sentado à mesa? Eu, porém, estou no meio de vocês como quem está servindo.

Comentário do Evangelho
Maior – Reis – Tirania
O evangelho acima nos fala dos discípulos competindo para ver qual seria o maior, fala

de Reis e tirania. Parece estas coisas estarem longe, distantes de nós. O exercício do poder se dá nas nossas relações humanas, em nossos relacionamentos interpessoais e em nossa vida de comunidade Igreja.

O poder dos reis no tempo de Jesus era absoluto: legislava, executava e julgava. Não existia ninguém acima deles.

Reuniões – Encontros.
Quando falamos em poder nas instâncias maiores Federal e Estadual por exemplo é mais fácil de ser compreendido, porém, em nossos relacionamentos interpessoais, em pequenos grupos, encontro e reuniões que participamos com frequência aí nem todos enxergam o poder sendo exercido. Em reuniões de associações, seja de bairros ou não, em sindicatos, em conselhos seja de igrejas ou não, nas reuniões dos mais diversos grupos há ali o exercício do poder.

Esquecendo agora os reis e imperadores do passado e no presente de nossos governantes, senadores, deputados, prefeitos e vereadores, devemos nos perguntar como se dá o exercício do poder em nossos encontros e reuniões.

Há muita gente que consciente ou inconscientemente exerce bem o poder de maneira respeitosa e democrática. Porém, mesmo em nossos trabalhos pastorais e grupos religiosos há pratica de tirania, não nos moldes do passado. Existe a pratica do exercício do poder não serviçal, pois a tentação ocorrida entre os discípulos de Jesus no passado se faz presente hoje. E não é tão simples sem um pouco de esforço perceber isso. Portanto, mesmo em nossas comunidades religiosas, reuniões de grupos, o exercício do poder nem sempre se dá de maneira democrática, respeitosa, e não é por não sabermos que Jesus pediu para exercermos o poder como serviço.

Seres humanos falhos.
Como afirmei anteriormente, numa reunião, num encontro seja de igreja ou não as pessoas ali de alguma forma tendo consciência ou não exercem o poder de maneira participativa ou democrática, respeitosa ou desrespeitosa. Nem sempre as falhas na participação, falta de democracia, falta de respeito se dá porque a pessoa age de má fé conscientemente. Pois muitos aprenderam coisas errôneas na sociedade e no ambiente que vive e traz para a Igreja. Erros recebidos em sua formação e educação. Traz seus costumes. Traz também toda uma história pessoal cheia de altos e baixos, eivadas de traumas, inseguranças, medos e bloqueios psicológicos. E nos grupos e reuniões tudo isso refletirá sobre os demais com práticas autoritárias e outras práticas de tentativa de domínio e relações que não vem de encontro ao respeito e ao crescimento das pessoas. Porém, não fica descartado também pessoas que agem por má fé, dado sua avidez em querer mandar e dominar, infelizmente.

Artimanhas do poder não serviçal e de domínio.
Principalmente em ambiente de Igreja é fácil repetir que o poder é serviço. Mas entre o discurso e a pratica costuma haver uma distância imensa.

Nossos encontros e reuniões nem sempre percebemos pessoas dominando, buscando o primeiro lugar, buscando vantagens e privilégios. Ver isto acontecendo exige de nós muita sabedoria. Talvez pelas pessoas se “conhecerem” a muito tempo, morar mais próximas, de encontrarem com mais frequência, portanto, terem “amizades”, não se dão conta que em nossas relações há disputa pelo poder quando nos reunimos, mesmo sendo “amigos” e “vizinhos”, com isso não enxergamos a artimanha de poder para dominar. Artimanhas estas nem sempre percebidas em contatos “despretensiosos” de “amizades”.

Há pessoas que não tem consciência que suas ações, que seus discursos são altamente competitivos se colocando acima das outras, manipulando os demais com facilidade, chantageando, ficando histéricas, fazendo drama teatral, intimidando, pressionando, mentindo, sendo falsas, impondo suas ideias e vontades. Pessoas que passam um ar que “sabem tudo”, conhece tudo na comunidade visando com isso fazer com os outros não discuta num nível mais alto com elas. Alguns que julgam pelo tempo que se encontra na comunidade ter mais direitos (a respeito disso num outro artigo de número 3 analiso exatamente esta questão) dando uma de irmãos mais velhos enciumados em relação a novos que começam a se destacar. Estas que agem como se fosse o “doutor sabe tudo” e quando os demais acreditam que eles sabem, mesmo passando conhecimentos simplistas e fragmentados de certos assuntos, votam em suas propostas e não vê seus defeitos gritantes.

Em reuniões e encontros temos participação de pessoas que usam reuniões para fins partidários, ou participam com outros interesses até atingi-los e depois saem, sendo assim oportunistas.

Há aquela forma de autoritarismo mais visível e facilmente notada de pessoas com atitudes ríspidas, ofensivas, tentando impor a voz num tom muito forte e áspero, sem falar em outras formas de autoritarismo não percebido pois a pessoa sabe impor sem levantar o topete, mostrando ar de simpatia. Tantas outras artimanhas acontecem no poder para alguns levarem vantagens e perpetuar, competindo desenfreadamente, com golpes.

 Muitas vezes ficamos escandalizados em saber dessa pratica dos políticos nas instancias maiores, mas não percebemos que de modo menor as praticamos em encontros e reuniões.

“Rótulos”
As pessoas que participam de nossos encontros muitas vezes recebem e trazem alguns rótulos: de liberais, conservadoras, revolucionarias, de direita ou de esquerda. Não esqueça que tem países chamados de ditaduras de esquerda e de direita. Não gosto de rótulos usados indiscriminadamente, mas infelizmente estes rótulos existem.

Exercício do poder ontem e hoje
Era fácil na antiguidade reconhecer o poder dos reis e imperadores e principalmente suas tiranias quando estes exerciam. O tirano é capaz de usurpar o poder, de governar com braço de ferro, matar com violência a fio da espada e tratar os oponentes com castigos duros e cruéis. A tirania e o exercício do poder para aqueles querem ser maiores hoje não se dá a fio da espada e nem a sociedade aguenta isso. Porém o poder tem outras nuances bem mais sutis para dominar os outros. Daí nossa dificuldade em perceber que estamos sendo levados e exercendo negativamente o poder.

Conclusão.
Ainda estamos distantes de praticar quem sabe em nossos encontros, reuniões, o poder como serviço de maneira grandiosa. Não nego que existe um caminhar novo onde pessoas procuram exercem o poder de maneira serviçal. Esperamos que está pratica possa sinalizar grandiosamente entre nós para que uma igreja, um povo servidor de verdade, faça do exercício do poder não algo para domínio, ser maior, mas verdadeiro serviço, como Jesus propõe. Pois nos corrigir implica em processo de conversão constante.

 
Artigo de: Pe. Emanuel Cordeiro Costa

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