23º Domingo do Tempo Comum – O Amor Liberta

1ª Leitura: Sb 9,13-18 / Salmo 89(90) / 2ª Leitura: Fm 9b-10.12-17 / Evangelho: Lu 14,25-33.

(Nesse artigo Pe. Antonio comenta a  Segunda Leitura da Carta a Filêmon – 08-09-2019)

A coisa mais fina do mundo é o sentimento, já dizia a poetisa Adélia Prado. A liturgia de hoje nos inspira nessa perspectiva, especialmente o texto da carta do apóstolo Paulo a Filêmon. A carta é, na verdade, um pequeno bilhete, de uma densidade amorosa sem limite. O apóstolo se derrama em ternura e amabilidade, com sentimentos bons e profundos que brotam de um coração guiado pela fraternidade cristã.

É provável que essa obra-prima tenha sido escrita quando Paulo estava preso em Roma, entre os anos 61 e 63. O apóstolo fora preso por sua fidelidade à verdade do evangelho. Assim como ainda fazem hoje, os poderosos daquele tempo perseguiam quem vivia de acordo com a verdade, quem denunciava a mentira manipulada pelos perversos e enganadores.

O tema do bilhete envolve a questão da lei jurídica e a cultura da época. Filêmon é um cristão de posição social privilegiada, a ponto de ser senhor de escravos. Onésimo, por outro lado, é seu súdito; tendo fugido, é acolhido por Paulo, que o converte à vida cristã. A conversão, no entanto, não isenta Onésimo da condição de escravo. De modo que sua fuga se configura um crime e deveria lhe acarretar punições gravíssimas. A situação também envolve o apóstolo, uma vez que ofereceu refúgio ao fugitivo. Paulo poderia simplesmente mandar de volta o escravo ou continuar a tê-lo consigo. Se assim agisse, além de fazer o escravo sofrer duras penas, também estaria sendo conivente com o regime. Ele até poderia enfrentar o caso juridicamente, mas assim entraria numa controvérsia que não somente o comprometeria, mas envolveria também toda a comunidade cristã.

A vida que Paulo escolhe para resolver o dilema é o princípio cristão do amor e da fraternidade. “Prefiro apelar para o teu amor” (Fl 9a). A forma como o apóstolo se dirige ao destinatário é de uma leveza ímpar, de um cuidado repleto de ternura que se assemelha ao zelo de mãe.

Podemos aprender muitas coisas com a atitude de Paulo. Uma delas é que, na comunidade cristã, ninguém é maior do que o outro. Na comunidade não há lugar para a escravidão e a servidão. Se as leis sociais às vezes são injustas, a mudança pode começar com o amor fraterno que Jesus nos ensinou a viver. Quem segue Jesus não compactua com a injustiça.


Pe. Antônio Iraíldo Alves de Brito, ssp


Fonte: Folheto Litúrgico “O Domingo” – Celebração da Palavra de Deus. 08-09-2019. Ano 44 – nº 41 – p. 4. – Editora Paulus.

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