Início da Salvação – Bíblia nº 15

Hoje vamos contar a história de Abrão (Abraão). Ela foi escrita por dois grupos de pessoas: os profetas da época de Salomão – por volta de 950 a.C. — e por alguns escritores durante e depois do cativeiro na Babilônia – por volta do ano 500 a. C. O cativeiro era considerado por aquele povo como um novo dilúvio, e Deus fez uma nova aliança. A circuncisão era sinal de que quem era circuncidado pertencia a Javé (Deus). Javé era mostrado como aquele que faz aliança com cada um dos patriarcas e com seu povo. Aparece a mudança do nome de Abrão para Abraão que quer dizer: Pai de muitos povos. E quando Deus mudava o nome de alguém, significava que ele assumia o compromisso de cuidar sempre de Abraão, de Jacó e do seu povo.

Por volta de 1850 a. C, a Mesopotâmia (Meso = meio + pótamo = rio) sofreu forte corrente migratória, que durou muitos anos em razão de problemas da superpopulação da região (os beduínos invadiam e tomavam as terras) e a política do rei Hamurábi da Babilônia, que desejava unificar toda a Mesopotâmia, aliada às divindades pagãs que eram impostas, exigindo sacrifícios humanos ao deus Marduk, forçaram Abraão a sair daquela região e procurar outras terras. Depois de se estabelecer em Haram por algum tempo, rumou para a terra de Canaã, pais pequeno, mas independente; dentro do estado havia sempre guerras e lutas. A sua organização foi feita pelo hicso, que invadiu e tomou posse da terra. Mais tarde eles se deslocaram para o norte do Egito. Nessa região o povo vivia como agricultores no Norte, como pastores no Sul, saqueadores e mercenários. Assim nasceu o povo hebreu, povo que viveu em situação de dor e opressão, mas sempre com esperança de vida melhor, pois contava com a aliança de Javé, buscando a Terra da Promissão ou a Terra Prometida.

A vocação de Abraão
A vocação de Abraão não nasceu de um momento para o outro, mas com um chamado de Deus, foi crescendo com o decorrer do tempo até que ele entendeu muito claramente o que Deus queria dele. Pela reflexão da vida que levava, Abraão percebeu dentro de si a ideia de um Deus diferente, que não quer sacrifícios humanos, mas quer a vida, a felicidade dos que lhe pertencem. Assim, ele arrumou suas malas e partiu com Sara, sua mulher, que era estéril, em busca de uma terra prometida por Deus para formar um povo unido e recuperar a benção dada por Deus no dia da criação.

A história de Abraão tinha a finalidade animar o povo que sofria a opressão do rei Salomão e, mais tarde, para animar o povo exilado na Babilônia. Abraão era mostrado como pai do povo e modelo de fé e de luta. Ele era, também, fonte de benção de Deus. Homem entregue à Providência de Deus, confiante em sua palavra, sai de sua terra todo cheio de esperança e vai em busca da promessa de Deus. (Gn 12,1-9; 15,1-6; 17,1-8).

Fidelidade a Javé
As preocupações daquele tempo eram apresentadas como se fossem dos patriarcas ou propostas por Deus para valorizar os sofrimentos do exílio. A finalidade era manter o povo fiel e unido a Javé, dando-lhe uma força para lutar para o retorno à terra de seus pais. A fartura dos patriarcas era mostrada como consequência da sua fidelidade à Aliança com Javé. Se o povo fosse fiel ao projeto de Javé, sairia do cativeiro, com fartura.

 

Fonte: A Bíblia nas Mãos do Povo – Encontros para os grupos – Antigo Testamento – Lourenço Gauci – Editora Ave-Maria – p. 26-27. – 2º Edição 1996.

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